29/07/2011
O juiz da comarca de Cajazeiras Dr. José Djacir Soares, negou na manhã desta sexta feira (29) que a polícia federal esteja entrando no caso da chacina dos menores de Cajazeiras cujos corpos foram desovados na divisa entre Paraíba e Ceará.
Segundo Dr. Djacir, um ofício foi enviado ao Ministério da Justiça mas nenhuma resposta foi obtida pelo magistrado.
Ainda sobre o caso, o juiz falou que no próximo dia 13 de Setembro 5 pessoas que podem estar diretamente ligados ao crime, serão ouvidos na presença do juiz e promotor, e novidades sobre a elucidação da chacina que chocou Cajazeiras e região poderão surgir.
O fato aconteceu no ano de 2004, e até agora apesar ter sido motivo de muitos debates na câmara municipal, Assembléia Legislativa e até na Câmara federal através do deputado Luiz Couto nenhuma pessoa foi presa pelo crime. As famílias dos garotos ainda esperam até hoje e clamam por justiça.
Conheça um pouco do caso através de uma matéria do jornal Gazeta do Alto Piranhas da época:
O Dia das Mães foi de muita tristeza e desespero para três famílias cajazeirenses. Logo no início da manhã da último domingo(09Maio2004), a cidade foi chocada com a notícia da chacina contra três adolescentes, cujos corpos foram encontrados por populares, num matagal do Sítio Favela, a dez quilômetros do município cearense de Ipaumirim. O crime apresentou todas as
características de perversidade.
Foram executados Demétrius Cavalcante Silva, 17 anos, filho do casal Genebaldo(PM reformado) e Nêga, residente na Rua Santo Antonio, 49; Cícero Roberto da Silva Sousa, 16 anos, filho do casal Francisco Roberto de Sousa e Geralda Maria da Silva de Sousa, residente na Rua Ernesto Rolim, 419, e José Filho Alves Ribeiro, 14 anos, filho do casal Adelson Alves Ribeiro e Josefa Olinto Cartaxo, residente na Rua Vitória Bezerra.
Os corpos estavam muito próximos uns dos outros, e os garotos receberam tiros na cabeça. De acordo com o delegado regional de Polícia Civil de Icó, Marcos Sandro Nazaré de Lira, que esteve no local realizando as primeiras investigações, é possível que os adolescentes tenham sido executados na Paraíba e seus corpos “desovados” em Ipaumirim.
Cumprindo determinação expressa do secretário de Segurança Pública do Ceará, Wilson Nascimento, o delegado Marcos Sandro iniciou, imediatamente, um trabalho de investigação mais profundo. Ele se deslocou para Cajazeiras, na segunda-feira, 10, acompanhado do escrivão Francisco Maurício e do Cabo PM Assis, da cidade de Icó, oportunidade em que ouviu várias pessoas.
Depoimentos
Uma testemunha importante ouvida foi Francisco Fernandes Gonçalves de Sousa, o Chiquinho, 42 anos, residente no Sítio Picada dos Andrade, município de São José de Piranhas. Ele é o proprietário da famosa “Casa dos Artistas”, local freqüentado pelos menores antes de serem executados, na madrugada do último domingo.
Em entrevista ao repórter Ivanildo Dunga, da Rádio Alto Piranhas, Chiquinho revelou que dois dos garotos assassinados, o Demétrius Cavalcante e o Cícero Roberto eram freqüentadores da sua casa. Ele disse que foi a Micaranhas de São José de Piranhas, deixando na residência, o casal conhecido como Dedê e Maria Edvaneide. Quando retornou, por volta das seis horas da manhã de domingo, recebeu a informação de que Demétrius, Cícero e José Filho tinham
visitado sua casa, e depois chegou um homem não identificado muito aborrecido chamando os três garotos.
Chiquinho também revelou que conhecia bem o Demétrius. “Ele já me disse que andava fazendo uma coisas por aí. Inclusive, acompanhado de um amigo, o Demétrius já levou uma bicicleta de um grupo escolar aqui das proximidades e foi para Cajazeiras”, declarou Chiquinho, adiantando que sempre advertiu o menor sobre esses problemas de envolvimento com roubo.
Outro que foi ouvido pelo delegado Marcos Sandro e que também falou ao repórter Ivanildo Dunga, foi o Dedê, que ficou na casa de Chiquinho, durante a noite de sábado para domingo. Dedê disse que, além dele e da mulher Maria Edvaneide, mas duas pessoas estavam na “Casa dos Artistas”, quando os três adolescentes cajazeirenses chegaram no local, por volta das 03 horas e 45 minutos da manhã. Eram, segundo ele, os jovens conhecidos apenas por Marcelo e Borracha, residentes na Asa Sul de Cajazeiras.
Dedê confirmou que Demétrius chegou na casa acompanhado dos outros dois garotos, sendo que, logo em seguida, um homem não identificado, demonstrando muito nervosismo chegou chamando os três. “Não consegui identicar o homem e nem o carro. Só sei que ele estava muito nervoso e armado de revólver”, observou Dedê, acrescentando que o veículo demonstrava ser velho, porque fazia muito barulho.
Novas investigações
Nas últimas horas, o delegado regional de Icó, Marcos Sandro, recebeu o apoio das polícias Civil e Militar de Cajazeiras, no trabalho investigativo. O Delegado Francisco Araújo juntamente com os agentes Paulão, Gerliê e Miranda, além do Grupo de Operações Especiais do VI BPM local, comandado pelo capitão Cunha, também estão diligenciando, no sentido de esclarecer a chacina contra os três menores.
Segundo informações não confirmadas divulgadas nos programas policiais das emissoras de rádio de Cajazeiras, as autoridades estão bem próximas de descobrir o autor ou autores do crime, que continua repercutindo muito nos estados da Paraíba e do Ceará.
Há informações, inclusive, de que a polícia já descobriu uma testemunha que pode ter presenciado tudo, e cujo depoimento pode por fim a mistério. Os rumores que circulam na cidade são de que os adolescentes foram mortos com todos os requintes de crueldade, ajoelhados e pedindo para não serem executados.
Delegado pede exumação de corpos de menores assassinados
O crime contra os adolescentes continua sem elucidação
* Jornal Gazeta do Alto Piranhas – Edição do dia 21Maio2004
A chacina do último dia 09(Maio2004), que vitimou os adolescentes Demétrius Cavalcanti da Silva, 17 anos, Cícero Roberto da Silva Sousa, 16 anos, e José Filho Alves Ribeiro, 16 anos, ambos residentes em Cajazeiras, continua coberta de mistério. Apesar dos depoimentos de várias pessoas, as autoridades policiais não conseguiram identificar o autor ou autores do bárbaro crime, que repercutiu intensamente nos estados da Paraíba e do Ceará.
Ontem, em entrevista ao repórter Ivanildo Dunga, da Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras, o delegado regional de Ico, no Ceará, Marcos Sandro Nazaré de Lira, responsável pelas investigações, disse que os trabalhos estão se desenvolvendo num ritmo muito bom. “Graças a Deus, as investigações têm acontecido num ritmo mais rápido do que se esperava”, completou o delegado, agradecendo o apoio recebido das polícias da Paraíba e do Ceará.
Marcos Sandro fez um relato do que foi apurado até agora. “Apuramos que no sábado, 08, por voltas das 21h30, as vítimas se deslocaram da cidade de Cajazeiras para São José de Piranhas. Lá, ficaram se divertindo até por volta das 03 horas da manhã, quando se deslocaram para um sítio, a 05 km da cidade piranhense. Nesse sítio, segundo consta, eles foram colocados a força, num carro com a descarga adulterada, não sendo mais vistos com vida”, observou.
O delegado disse que já ouviu quase todas as testemunhas, concluindo essa fase, ontem, quando se deslocou para a cidade de Ipaumirim, para ouvir mais uma testemunha e, em seguida, mais duas em Cajazeiras. “Na próxima semana, vamos ouvir todos os suspeitos, comparar depoimentos e pedir perícias em vários setores”, afirmou o doutor Marcos Sandro.
“Praticamente, todas as testemunhas foram ouvidas. Agora, vai ficar mais a parte técnica do inquérito policial: exame de balística e exumação dos corpos”, confirmou o delegado regional de Icó. Ele justificou o pedido de exumação dos corpos, dizendo que o procedimento é essencial, pelo fato do laudo ter sido muito superficial. Os próprios familiares, segundo afirma, comentam que uma das vítimas estava com o nariz quebrado e outra com o pulso quebrado. “Para dirimir essas dúvidas, já pedimos a presença dos peritos do IML de Fortaleza para exumação dos corpos”, disse Marcos Sandro, garantindo que vai fazer todos os esforços para fornecer ao Ministério Público as informações necessárias para colocar os assassinos na cadeia.
O delegado confirmou que, durante contato feito com o representante do Ministério Público do Ceará, na cidade de Ipaumirim, foi ventilada a possibilidade de abertura de um inquérito policial também em Cajazeiras. Segundo ele, o Ministério Público do Ceará vai pedir ao Ministério Público da Paraíba para representar a Superintendência de Polícia Civil, sediada em Cajazeiras, no sentido de abrir novo inquérito. Isso acontecerá, segundo ele, porque tudo indica que os garotos foram seqüestrados e espancados no muncípio de São José de Piranhas, antes de serem executados. “Isso será bom, porque a soma de dois inquéritos vai fornecer mais elementos para o Ministério Público embasar o processo-crime contra os acusados”, comentou.
Na entrevista ao repórter Ivanildo Dunga, o delegado Marcos Sandro admitiu que algumas testemunhas podem estar omitindo a verdade. Segundo afirmou, existe entre as três pessoas que se encontravam na “Casa dos Artistas” e mais o Chiquinho, que chegou depois, contradições latentes. “Se ao final do inquisitório, for descoberto que elas omitiram ou falsearam a verdade, serão indiciadas por falso testemunha e poderão ser presas.
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