31/07/2013
A Paraíba possui o 4º
mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal do País, com apenas
0,658, de acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano Brasil 2013, divulgado
ontem. Apesar da posição no ranking (23º), a Paraíba avançou nos últimos 20
anos e saiu do nível considerado muito baixo (0,382 em 1991) e baixo (0,506 em
2000), para o nível médio, que oscila entre 0,600 a 0,699. Cinco
municípios da Paraíba apresentam nível alto, entre 0,700 e 0,799: João Pessoa
(0.763), Cabedelo (0.748), Campina Grande (0.720), Várzea (0.707) e Patos
(0.701).
Em
1991, a
situação dos municípios paraibanos tinham índices considerados baixos ou muito
baixos. Em 2000, alguns municípios, como João Pessoa e Campina Grande, já
chegaram a índices considerados médios. O cenário da qualidade de vida melhorou
em todo o País e a Paraíba acompanhou esse ritmo de crescimento, mesmo ainda
figurando entre as últimas posições do ranking nacional.
A
metodologia do estudo leva em conta a longevidade (esperança de vida ao
nascer), educação (acesso ao conhecimento) e renda (padrão de vida, calculado
pela renda per capita em agosto de 2010). Entre os números apresentados, alguns
municípios tiveram destaque no levantamento. A cidade de Cacimbas é o que
possui menor índice de longevidade do País (0,672), junto com a cidade de
Roteiro (AL). Nos dois municípios, a expectativa de vida é de 65,3 anos.
Mataraca também aparece no ranking, com o 3º menor índice de longevidade
(0,675).
Em
2010, a
esperança de vida ao nascer média para o Estado é de 72,0 anos e, para o País,
de 73,9 anos. O município com maior longevidade da Paraíba é a Capital, João
Pessoa, com expectativa de vida de 74,9 anos. Seguem no topo do ranking
estadual os municípios de Cabedelo (74,3 anos), Patos (74,3 anos), Santa
Teresinha (74,2 anos) e Cajazeiras (73,9 anos).
No
quesito Educação, a cidade de Várzea, situada na Borborema, possui o melhor
índice do Estado: 0,714. Os dados do Atlas mostram que o ótimo desempenho de
Várzea é resultado do aumento do número de alunos nas salas de aula: a
proporção de crianças de 11 a
13 anos frequentando os anos finais do ensino fundamental cresceu 41,68% entre
2000 e 2010 e 236,89% entre 1991 e 2000. A proporção de jovens entre 15 e 17 anos
com ensino fundamental completo cresceu 129,20% no período de 2000 a 2010 e 879,77% no
período de 1991 a
2000. Após Várzea, o ranking paraibano de Educação segue com João Pessoa
(0,693), Campina Grande (0,654), Cabedelo (0,651) e Santa Luzia (0,635). O
município com pior IDHM em Educação na Paraíba é Gado Bravo, com 0,373.
Na
Paraíba, o município de Cabedelo ficou em primeiro lugar do Estado no quesito
Renda, com 0,782. A
renda per capita média de Cabedelo cresceu 305,37% nas últimas duas décadas,
passando de R$255,62 em 1991 para R$611,50 em 2000 e R$1.036,21 em 2010. .Em
seguida, aparecem João Pessoa (0,770), Campina Grande (0.702), Cajazeiras
(0,668) e Patos (0,667). Na parte de baixo da tabela, em último lugar, aparece
o município de Santana de Mangueira, com IDHM 0,488.
De
acordo com a secretária de Estado de Desenvolvimento Humano, Aparecida Ramos, o
retrato da Paraíba já mostra um avanço, mas ponderou que todo crescimento real
é lento. “O fato de, apesar da evolução, figurarmos entre os IDHM mais baixos
do País diz respeito à própria formação social da Paraíba. Ainda temos muitas
desigualdades sociais e concentração de renda, principalmente em cidades
maiores, como João Pessoa e Campina Grande. Mudar esses índices exige trabalho
duro e persistente na elaboração de políticas sociais consistentes. Não é uma
coisa que a gente possa modificar de forma rápida”, comentou.
Piores índices
O
município com mais baixo IDHM da Paraíba é São Domingos do Cariri, com 0,589. A cidade ocupa a
4416ª posição do ranking geral, em relação aos 5.565 municípios do Brasil.
Pedras de Fogo (0,590), Montadas (0,590), Cuité (0,591) e São José de Piranhas
(0,591) também figuram com os piores índices.
Crescimento
De
1991 a
2010, o Brasil quase dobrou o seu IDHM, passando de 0,493, em 1991, -
considerado muito baixo – para 0,727, em 2010, o que representa alto
desenvolvimento humano. Ou seja, nas últimas duas décadas, o País registrou um
crescimento de 47,8% no IDHM.
O Atlas
O
Atlas do Desenvolvimento Humano Brasil 2013 foi elaborado pelo Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com o Instituto de
Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro. A grande
novidade apresentada este ano pelo Pnud é a plataforma online do Atlas, onde
qualquer pessoa pode acessar os dados e evolução de seu município.
João Pessoa: educação avança
A
Capital, João Pessoa, também aumentou seu índice e ultrapassou o IDHM do
Estado, saindo de 0,551 em 1991,
a 0,763 em 2010. Entre 2000 e 2010, a dimensão que mais
cresceu em termos absolutos foi Educação (com crescimento de 0,170), seguida
por Longevidade e por Renda. Entre 1991 e 2000, a dimensão que mais
cresceu em termos absolutos foi Educação (com crescimento de 0,139), seguida
por Longevidade e por Renda.
A
renda per capita pulou de R$ 483,01 (1991) para R$ 964,82 (2010), representando
um crescimento de 99,73% nas últimas duas décadas. A extrema pobreza (medida
pela proporção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 70,00,
em reais de agosto de 2010) passou de 12,28% em 1991 para 6,56% em 2000 e para
3,48% em 2010.
A
expectativa de vida também cresceu na Capital, indo de 64,60 anos em 1991, para
74,89 em 2010. João Pessoa teve um incremento no seu IDHM de 38,48% nas últimas
duas décadas, abaixo da média de crescimento nacional (47,46%) e abaixo da
média de crescimento estadual (72,25%). O hiato de desenvolvimento humano, ou
seja, a distância entre o IDHM do município e o limite máximo do índice, que é
1, foi reduzido em 47,22% entre 1991 e 2010.
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