Nonato Guedes
Diferentemente da adesão, hoje, da grande maioria da população brasileira a medidas de prevenção contra o novo coronavírus, que já virou pandemia, o Brasil enfrentou em 1904 a chamada revolta da vacina, com manifestações de repúdio à obrigatoriedade da vacinação contra doenças graves que tomavam dimensão, a exemplo da varíola. O médico renomado Oswaldo Cruz, que liderou a mobilização pela obrigatoriedade da vacina, foi praticamente “caçado” por pessoas do povo. Os historiadores revelam que a mistura de atraso cultural com desinformação, combinada com rivalidades políticas, criaram um cenário desfavorável a medidas sanitárias num País que ainda em 1916 o doutor Miguel Pereira, presidente da Academia Nacional de Medicina, chamara de “imenso hospital”. A revolta da vacina estourou no Rio de Janeiro, que era a Capital do Brasil.