19.01.2022
Por Josival Pereira
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é devedor de explicações sobre sua duvidosa participação nos episódios envolvendo denúncias de erros em aplicação de vacinas de adultos vencidas em crianças na Paraíba e no Brasil.
Logo após o raiar do sol da última segunda-feira, Queiroga apareceu na cidade de Lucena, dizendo ter recebido orientação direta do presidente Jair Bolsonaro para acompanhar e fiscalizar fatos envolvendo um erro na aplicação de vacinas de adultos em crianças, deu entrevistas ao vivo para televisões, tapinhas nas costas do prefeito local e foi-se embora.
No dia seguinte (terça-feira), a deputada contrária à vacinação de crianças, Carla Zambelli, enviou ofícios ao Ministério da Saúde e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pedindo a suspensão da vacinação infantil em todo país e, na sequência, a AGU (Advocacia Geral da União) faz o pedido de suspensão formalmente ao STF.
Estranhamente, antes da divulgação da petição da AGU, Zambelli atacou o Ministério Público da Paraíba (Federal e Estadual), que havia contestado o pedido da parlamentar, ostentando um relatório do Ministério da Saúde que apontava irregularidades na aplicação de vacinas em crianças nos 27 Estados brasileiros e no Distrito Federal e, no caso da Paraíba, em outros municípios, além de Lucena. Cerca de 58 mil teriam sido vacinadas fora dos padrões indicados pela Anvisa para a liberação do imunizante pediátrico.
O fato enseja alguns questionamentos: se o Ministério da Saúde dispunha de um relatório apontando os erros graves na aplicação de vacinas infantis, por que o ministro
Queiroga não o mencionou e deu uma de desentendido na visita à Paraíba? Se o ministro sabia de tudo, por que não tomou as providências necessárias que a gravidade do caso exigia? Se o ministro sabia, por que deixou a deputado Carla Zambelli tornar público o relatório do Ministério da Saúde?