27/10/2010:
Palcos de milionárias operações militares americanas de combate ao narcotráfico, o México e a Colômbia capitanearam na terça-feira (26) críticas ao Estado da Califórnia que, no dia 2, irá decidir em plebiscito se libera o uso recreativo de maconha.
Os dois países costumam criticar a ambiguidade do poderoso aliado do norte que, enquanto financia a guerra antidrogas, seria leniente com o consumo interno.
Conforme a Unodc, a agência antidrogas da ONU (Organização das Nações Unidas), os EUA são hoje o segundo maior mercado de maconha do continente, perdendo só para o Canadá.
"É confuso para a nossa gente ver que, enquanto perdemos vidas e investimos recursos na luta ao narcotráfico, em países consumidores sejam promovidas iniciativas como a do referendo da Califórnia", afirmou ontem o presidente Juan Manuel Santos, da Colômbia.
"Se não atuarmos de forma consistente neste assunto, se tudo o que fizermos for mandar nossos conterrâneos à prisão enquanto, em outras latitudes, se legaliza o mercado, então devemos nos questionar: não é hora de revisar a estratégia?", completou.
Durante cúpula regional realizada em Cartagena (Colômbia), Santos, seu colega mexicano, Felipe Calderón, e presidentes da América Central debateram formas de cooperação.
"É, no mínimo, uma mensagem contraditória na luta antidrogas", defendeu Laura Chinchilla, da Costa Rica. "Por um lado, um Estado populoso que originará consumo e, por outro, uma política federal que impulsiona a perseguição a nossos países."
O hondurenho Porfirio Lobo previu consequências "funestas", no caso de legalização. "Em problemas graves como o narcotráfico, é preciso chegar a acordos entre todos", pediu.
IMPACTO NA FRONTEIRA
"Estudos indicam que [a liberação] poderá aumentar o uso, ao menos no curto prazo. Isso dá sinais conflitantes", avalia Robert Donnelly, pesquisador do Instituto do México do Woodrow Wilson Center, de Washington.
"Mas o projeto na Califórnia autoriza ou permite o cultivo para o uso pessoal, não abre a fronteira e nem acaba com barreiras nacionais à entrada da droga", pondera.
Raul Benitez Manaut, do Centro de Pesquisas da América do Norte da Unam (Universidade Nacional Autônoma do México), também minimiza o impacto da eventual liberação.
Para o pesquisador, mesmo com a vitória do "sim", a procura não deve aumentar, porque isso só "oficializaria uma situação que já existe", já que o consumo de maconha na Califórnia é "historicamente alto".
"Pode ter um impacto forte na fronteira, em Tijuana, que fica ao lado de San Diego, a terceira maior cidade da Califórnia. Porém, em termos nacionais, é difícil de saber. Há quem diga que será grande, há quem diga que será baixo. Do ponto de vista político, o debate irá continuar."
O referendo legaliza o uso e a plantação de maconha a maiores de 21 anos e incumbe os governos locais de regular o comércio. Pesquisas de intenção de voto indicam que a diferença entre "sim" e "não" é pequena, de cerca de cinco pontos percentuais.
Os dois países costumam criticar a ambiguidade do poderoso aliado do norte que, enquanto financia a guerra antidrogas, seria leniente com o consumo interno.
Conforme a Unodc, a agência antidrogas da ONU (Organização das Nações Unidas), os EUA são hoje o segundo maior mercado de maconha do continente, perdendo só para o Canadá.
"É confuso para a nossa gente ver que, enquanto perdemos vidas e investimos recursos na luta ao narcotráfico, em países consumidores sejam promovidas iniciativas como a do referendo da Califórnia", afirmou ontem o presidente Juan Manuel Santos, da Colômbia.
"Se não atuarmos de forma consistente neste assunto, se tudo o que fizermos for mandar nossos conterrâneos à prisão enquanto, em outras latitudes, se legaliza o mercado, então devemos nos questionar: não é hora de revisar a estratégia?", completou.
Durante cúpula regional realizada em Cartagena (Colômbia), Santos, seu colega mexicano, Felipe Calderón, e presidentes da América Central debateram formas de cooperação.
"É, no mínimo, uma mensagem contraditória na luta antidrogas", defendeu Laura Chinchilla, da Costa Rica. "Por um lado, um Estado populoso que originará consumo e, por outro, uma política federal que impulsiona a perseguição a nossos países."
O hondurenho Porfirio Lobo previu consequências "funestas", no caso de legalização. "Em problemas graves como o narcotráfico, é preciso chegar a acordos entre todos", pediu.
IMPACTO NA FRONTEIRA
"Estudos indicam que [a liberação] poderá aumentar o uso, ao menos no curto prazo. Isso dá sinais conflitantes", avalia Robert Donnelly, pesquisador do Instituto do México do Woodrow Wilson Center, de Washington.
"Mas o projeto na Califórnia autoriza ou permite o cultivo para o uso pessoal, não abre a fronteira e nem acaba com barreiras nacionais à entrada da droga", pondera.
Raul Benitez Manaut, do Centro de Pesquisas da América do Norte da Unam (Universidade Nacional Autônoma do México), também minimiza o impacto da eventual liberação.
Para o pesquisador, mesmo com a vitória do "sim", a procura não deve aumentar, porque isso só "oficializaria uma situação que já existe", já que o consumo de maconha na Califórnia é "historicamente alto".
"Pode ter um impacto forte na fronteira, em Tijuana, que fica ao lado de San Diego, a terceira maior cidade da Califórnia. Porém, em termos nacionais, é difícil de saber. Há quem diga que será grande, há quem diga que será baixo. Do ponto de vista político, o debate irá continuar."
O referendo legaliza o uso e a plantação de maconha a maiores de 21 anos e incumbe os governos locais de regular o comércio. Pesquisas de intenção de voto indicam que a diferença entre "sim" e "não" é pequena, de cerca de cinco pontos percentuais.
Fonte: ClickPB
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