quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Socorro ainda não chegou aos bairros mais afetados de Teresópolis

13/01/2011

Moradores tentam resgatar parentes e amigos. Soterrados gritam por socorro

A situação é catastrófica em Teresópolis, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Um dos locais mais afetados pelos desmoronamentos provocados pelas chuvas dos últimos dias, o bairro de Campo Grande, está praticamente todo soterrado e o socorro ainda não havia chegado ao local na manhã desta quinta-feira (13). Sem as equipes de resgate, moradores tentam resgatar parentes e amigos. Muitos deles, debaixo da terra, gritam em busca de ajuda.

Segundo a informação de um morador, cerca de 6.000 pessoas moram na região.
- Encontrei com um homem que levava uma corda de rapel para tentar salvar alguém. Ele disse que ouve gritos e pedidos de socorro a todo instante, mas não há ninguém da defesa civil ou corpo de bombeiros. Muitos corpos estão mutilados. As pessoas passam chorando, sem rumo. Os mais jovens tentam sair andando, mas os mais velhos ficam sentados à espera de socorro. Eles pedem para que a gente busque ajuda. É muito triste.

Ainda de acordo com o morador, o cenário no bairro é desolador. Muitas pessoas perambulam pelas ruas sem saber para onde ir.

- A situação é desesperadora. Parece que o bairro está de cabeça para baixo. Muita lama, carros destruídos, casas destruídas, um terror. As pessoas andam pelas ruas e carregam o que conseguiram retirar da lama, roupas, mochilas e o que mais podem levar. Muitas, no entanto, não têm para onde ir.

Para chegar até o lugar em que esse morador estava nesta quinta-feira, a reportagem do R7 andou por cerca de 40 minutos com lama até a canela. A comunicação no local é muito ruim, e os celulares só funcionam em alguns pontos da cidade. Mais cedo, choveu forte novamente durante um curto período.


A assessoria de imprensa da Prefeitura de Teresópolis informou que equipes da Defesa Civil ainda não conseguiram chegar até os bairros de Campo Grande e da Posse, porque estão dando prioridade para outros pontos de risco, onde a situação está mais caótica. A prefeitura pede que as pessoas que moram nestes bairros não saiam de casa, aguardem os bombeiros, pois ainda há riscos de novos desabamentos. Casa haja alguma rachadura ou situação emergencial, a prefeitura pede para os moradores entrarem em contato com a Defesa Civil.

Chuvas castigam região serrana

A chuva que começou na tarde de terça-feira já deixou mais de 300 mortos e milhares de desabrigados em Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis, na região serrana do Rio. Muitas pessoas ainda estão desaparecidas e muitos bairros, completamente soterrados.


A presidente Dilma Rousseff assinou nesta quarta-feira (12) a medida provisória que libera R$ 780 milhões em créditos extraordinários para os municípios afetados pelas fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro, São Paulo e outras localidades.
Problemas antigos
A população das localidades de Benfica e Vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis, na região serrana do Rio, está acostumada a sofrer com a força das chuvas. Quem mora próximo ao rio Santo Antônio sente mais os efeitos das cheias. No entanto, os relatos dos sobreviventes dizem que nunca a água chegou ao nível que alcançou desta vez.

Nério da Costa Mesquita, de 83 anos, alugava uma casa em Benfica e perdeu tudo. Só lhe restou a roupa do corpo.

- Começamos a levantar as coisas, mas não imaginamos que a água ia subir tanto. Foi muita água. Agora tenho de esperar, sem água [para beber], sem mantimento, sem nada.

O proprietário da casa de Mesquita, Nilson Moreira de Macedo, que mora no mesmo terreno, também mantinha uma oficina na área. Ele perdeu o local onde morava e todos os objetos de trabalho.

- Não afetou só minha casa, mas o local de trabalho. Moro aqui há 35 anos. Nunca vi nada assim.
Clique aqui e saiba como e onde fazer doações

O Hemorio (Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro) informou que precisa de cerca de 300 bolsas de sangue para enviar para a região serrana, principalmente Teresópolis e Nova Friburgo. Segundo a assessoria do instituto, as cidades atingidas pelas chuvas têm grande número de vítimas que necessitam de transfusão de sangue.

O Hemorio pede para que a população compareça ao hemocentro ou a dos 26 postos de coleta de sangue no Estado. Segundo o instituto, janeiro é um mês em que, tradicionalmente, o número de doadores cai. Para doar sangue é preciso ter entre 18 e 65 anos, pesar mais de 50 quilos, estar bem de saúde e trazer um documento oficial de identidade com foto. Entre a triagem e a doação, todo o processo leva cerca de uma hora.

O Hemorio fica na rua Frei Caneca, 8, no centro. O horário de funcionamento é das 7h às 18h, todos os dias, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Para mais informações, o hemocentro oferece o 0800-282 0708 para tirar dúvidas e agendar horário para a doação.



R7

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