segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Diplomatas líbios na ONU pedem intervenção internacional no país

21/02/2011

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Adem Altan/21.02.2011/AFP
Manifestantes seguram bandeiras com "Gaddafi é um assassino " 
em frente à embaixada da Líbia na Turquia


Em um ato de rompimento com o regime de Muammar Gaddafi, membros da delegação de diplomatas da Líbia na ONU (Organização das Nações Unidas) pediram, nesta segunda-feira (21), uma intervenção internacional contra a onda de violência no país.



O vice-embaixador da Líbia no órgão fez também um apelo por proteção aos cidadãos contra o que definiu como "genocídio" patrocinado pelo governo líbio.

Ele também pediu que as Nações Unidas interditassem o espaço aéreo sobre a capital líbia, Trípoli, onde relatos não confirmados dizem que pelo menos um avião de combate disparou contra manifestantes.

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, afirmou nesta segunda-feira que há informações de que o coronel Gaddafi deixou seu país rumo à Venezuela, em meio aos protestos populares que pedem a sua saída do poder.

- Eu não tenho informações que afirmem que ele está [a caminho da Venezuela], mas eu vi algumas informações que sugerem que ele está a caminho [da Venezuela] neste momento.

Um alto funcionário do governo venezuelano, no entanto, negou que o líder líbio será recebido no país, ao afirmar que não houve comunicação com Trípoli.

- Não recebemos nenhum pedido de asilo.

Paradeiro de Gaddafi 

A correspondente da BBC em Argel Chloe Arnold citou relatos de um repórter confiável que foi à casa de Gaddafi, em Trípoli, nesta segunda-feira.

Ele disse que havia poucos seguranças nos portões e que, aparentemente, não havia ninguém na casa.
Uma fonte informou ao correspondente da BBC no Cairo, Jon Leyne, que há indícios de que, por causa dos protestos, Gaddafi possa ter saído da capital, Trípoli, em direção ao sul da Líbia.

Os indícios são comboios de veículos vistos deixando a capital e uma movimentação acima do comum no aeroporto de Trípoli.

Para Leyne, é um indicativo de que Gaddafi não pretende abandonar seu país, mas retirar-se da capital, para onde os protestos migraram na noite de domingo e na manhã desta segunda-feira.

Também há dúvidas quanto à possibilidade de algum país receber o líder líbio, caso ele decida se exilar.
Diálogo 

Também nesta segunda-feira, a chanceler da União Europeia, Catherine Ashton, voltou a condenar a violência no Bahrein e na Líbia.

Após um encontro de ministros de Relações Exteriores europeus, Ashton disse que a Líbia deveria respeitar os direitos dos cidadãos de protestarem pacificamente e pediu diálogo.

- Condenamos a repressão contra os manifestantes e lamentamos a violência e a morte de civis. Pedimos o fim imediato do uso da força contra os manifestantes e pedimos a todas as partes que se contenham. As aspirações legítimas e demandas das pessoas por reformas devem ser consideradas em um diálogo aberto.

Catherine disse ainda que viajaria ao Egito nos próximos dias para encorajar as autoridades locais a serem mais transparentes sobre o avanço em direção à democracia.

- Durante nossas conversas, eu pedirei que eles façam progresso nas mudanças constitucionais que pavimentam o caminho para eleições parlamentares e presidenciais livres e justas.

A chanceler garantiu que a Europa ajudará o Egito no processo e não tentará impor soluções.

Embaixadores
Nesta segunda-feira, o embaixador líbio na Índia, Ali Al Issawi, disse à BBC que decidiu deixar o cargo em protesto contra o uso de violência por parte do governo e afirmou que mercenários estrangeiros foram mobilizados para atuar contra cidadãos líbios.

O embaixador na Liga Árabe, Abdel Moneim Al Honi, disse a jornalistas, no Cairo, que está se unindo à revolução, enquanto o embaixador líbio na China também renunciou.

De acordo com o jornal Quryna, o ministro da Justiça, Mustafa Abdal Khalil, também renunciou em protesto contra a violência no país.

O regime comandado por Muamar Gaddafi lançou uma dura campanha de repressão contra os protestos.
Segundo dados de organizações médicas e de direitos humanos, mais de 200 pessoas teriam morrido desde o início, na semana passada, das manifestações que pedem que Gaddafi renuncie após passar mais de 40 anos no poder.

Tensão nas ruas 

Testemunhas afirmam que manifestantes que saíram às ruas da capital, Trípoli, na noite de domingo, foram atacados por forças de segurança com armas de fogo e gás lacrimogênio.

Nesta segunda-feira, há relatos de que as ruas da cidade estavam tranquilas, com forças do governo patrulhando a Praça Verde, um local que vem sendo usado pelos manifestantes.

Houve sons de tiros nas primeiras horas da manhã, e bombeiros tentavam controlar um incêndio em um prédio do governo no centro da cidade, a Assembleia do Povo, que foi incendiada por manifestantes.

Benghazi, a segunda cidade do país, estaria nas mãos de manifestantes. Segundo testemunhas, a polícia fugiu de Zawiyah, a oeste da capital, e a cidade teria caído no caos. Há relatos de que muitos moradores estariam fugindo para a vizinha Tunísia.

Saif Al Islam, filho de Gaddafi, advertiu que uma guerra civil poderia eclodir no país. Em um longo pronunciamento pela TV, ele prometeu reformas políticas, mas afirmou também que o regime "lutaria até a última bala", contra "elementos dissidentes".

Saif  admitiu, entretanto, que as cidades de Benghazi e Al-Bayda, no leste do país, tinham caído nas mãos dos manifestantes.


Mapa da Líbia

 R7

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