Aproximadamente 1.500 ciganos vivem na Paraíba e mais de 95% deles vivem no Sertão do Estado, representando a maior comunidade sedentarizada do país. Eles deixaram o nomadismo por volta dos anos 80, quando percorriam os municípios paraibanos, do Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco em busca de melhores condições de vida. A maioria se fixou na cidade de Sousa, enquanto outros escolheram Patos, Marizopólis, Bonito de Santa Fé, Monte Horebe e São João do Rio do Peixe, como local para acampar.
O que para eles parecia ser a solução dos problemas acabou gerando uma série de conflitos provenientes da falta de adaptação ao convívio com a sociedade. Agrupados em comunidades, os ciganos de etnia Calon, moram na periferia das cidades e não contam com nenhum serviço de infraestrutura, saneamento básico, nem esgotamento sanitário, além do desemprego, provocado pelo preconceito. Porém, o problema que mais tem preocupado as comunidades ciganas da Paraíba, é a perda gradativa da identidade cultural.
Fixados na Paraíba há mais de 30 anos, a maior concentração de ciganos é encontrada em Sousa, distante aproximadamente 420 quilômetros de João Pessoa. Eles representam a maior comunidade cigana do Brasil e são divididos em três agrupamentos que juntos somam cerca de 600 pessoas. Os ciganos alegam que vivem à margem da sociedade e que não são encarados como cidadãos, tendo seus direitos violados.
Eles ocuparam uma área privada por volta de 1983, quando resolveram deixar de viver do comércio de animais e pararam de viajar para outras localidades, abandonando o nomadismo. Tais agrupamentos são compostos, em maioria de casas de taipa, que não oferecem nenhuma forma de segurança, nem tampouco de conforto. Mesmo assim, as pequenas e humildes casas são abrigos para famílias de até 15 pessoas.
Nas três comunidades ciganas de Sousa, não existe saneamento básico, nem esgotamento sanitário, e por causa disso, as pessoas vivem lado a lado com a proliferação de doenças que são provocadas pela falta de higienização. Os problemas estão se intensificando ainda mais porque a cada dia o número de ciganos aumenta nas três comunidades de Sousa.
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