Está chegando ao final a
novela sobre a migração do ex-senador Wilson Santiago do PMDB para o
PTB. Na próxima quarta-feira, às 15h, no diretório nacional petebista em
Brasília, o ex-parlamentar oficializa seu ingresso na legenda
trabalhista. Em declarações formuladas nas últimas horas, ele salientou
que deixa o PMDB “de coração partido” mas observa que não estava
encontrando clima para permanecer na agremiação. “Na atual conjuntura
política em que se encontra a sigla no Estado, com exclusão e desprezo a
alguns filiados, não dá para permanecer. Saio para que eles fiquem mais
confortáveis”, observou o ex-parlamentar. A filiação do deputado
federal Wilson Filho ainda não está definida. O deputado já verbalizou
que teme um processo desgastante de reivindicação do seu mandato por
parte do PMDB e que está avaliando melhor as circunstâncias.
O desentendimento do ex-senador com o
PMDB começou quando ele se sentiu preterido em ambições legítimas.
Salienta, por exemplo, que não encontrou espaço para concorrer novamente
ao Senado em 2014. A vaga teria sido oferecida a diversos líderes,
menos a ele, que chegou a ocupar o mandato por quase um ano enquanto
durava o impasse sobre a ascensão de Cássio Cunha Lima (PSDB), afinal
concretizada por decisão judicial. Santiago também se sentiu preterido
dentro do diretório regional do PMDB por manobras atribuídas ao
ex-governador José Maranhão, recentemente escolhido presidente da
legenda. Ele criticou o pré-lançamento da candidatura do ex-prefeito de
Campina Grande, Veneziano Vital, ao governo do Estado, observando que
não houve debate interno aprofundado a esse respeito nem foi levada em
conta a existência de outras alternativas. Tudo teria transcorrido, de
acordo com ele, nos limites de um jogo de cartas marcadas.
Wilson chegou a se reunir em São Paulo
com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem tem canais de
interlocução, examinando os espaços que teria dentro do PT, mas teria
sido aconselhado a esperar pelo ingresso em outra agremiação onde se
sentisse mais à vontade para dar curso a seus projetos políticos
futuros. Petistas paraibanos haviam discordado da pretensão de Santiago
de já ingressar na condição de candidato a senador, lembrando que teria
que haver um amplo debate interno sobre essa ambição. Foi quando
surgiram convites de várias legendas, entre as quais o PTB, onde
Santiago recebeu acenos para dirigir o diretório estadual. Embora
assegure que essa definição ainda não é pacífica, o atual presidente
Armando Abílio já admitiu que abre mão para Wilson comandar o partido, e
o recém-empossado deputado estadual Carlos Dunga salientou que está de
acordo com a escolha.
Houve rumores de que Wilson estaria
mantendo contatos com o governador Ricardo Coutinho (PSB) para ingressar
no seu esquema, mas não prosperaram as especulações nesse sentido. No
PMDB, José Maranhão havia prometido que conversaria com Wilson Santiago
para dissuadi-lo da pretensão de deixar as fileiras do partido, porém,
não avançou passos concretos nesse sentido. Santiago jacta-se de ter
influência sobre um grupo expressivo de prefeitos e líderes municipais.
Essas lideranças tendem a acompanhá-lo na nova empreitada dentro do PTB.
O grande desafio de Santiago, nesta nova fase da sua vida pública, é
contribuir decisivamente para a expansão do trabalhismo no Estado. O
partido tem adotado posições oscilantes na Paraíba, vindo a reboque de
outros esquemas. De sua parte, Wilson promete fortalecer o PTB para o
pleito de 2014. Promete colaborar para a definição de um grupo influente
de candidatos no páreo proporcional e majoritário. Disse que o partido
só se fortalece quando tem oxigenação própria, com postulantes a todos
os cargos em jogo. Ao se fortalecer, define, o partido passa a ser
cobiçado pelas demais legendas e lideranças partidárias. Santiago
prepara uma carta para entregar aos dirigentes peemedebistas, lamentando
o seu desligamento do partido. O deputado Raniery Paulino, líder do
PMDB na Assembléia Legislativa, que chegou a se empenhar pela
permanência do ex-senador, avisou que só pretende tecer comentários a
respeito da sua desfiliação quando os fatos forem concretizados.

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