terça-feira, 23 de abril de 2013

Cássio reitera: transposição é um vexame

23/04/2013


Por Nonato Guedes

Foi da autoria do senador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB) a fotografia que ilustrou um texto do jornalista Josias de Souza, publicado via site UOL, mostrando o que o conceituado colunista chama de vexame da transposição das águas do Rio São Francisco, expressão com que o parlamentar tucano concorda plenamente. Ontem, no Twitter, Cunha Lima chamou a atenção para a narrativa de Josias de Souza, em cima da visita de parlamentares e representantes do governo federal a trechos de obras na Paraíba e Pernambuco, no último dia 20. Da delegação participaram, ainda, os senadores paraibanos Vital do Rego (PMDB) e Cícero Lucena (PSDB). Cássio bateu a foto com a câmera do celular e repassou-a para meios de comunicação.

Josias ironiza que se o Brasil fizesse alguma coisa em termos de governo, não estaria envergonhado por não ter sido cumprida a promessa de acelerar o projeto de integração de bacias setentrionais no Nordeste, outra denominação da transposição, mas como o país se desobriga da obrigação, faz sentido que o vexame ocorra. “O governo apenas renova a promessa aos sertanejos, agora submetidos à mais grave nos últimos 50 anos. Um pedido de desculpas? Nem pensar! Necas!”, ressalta o articulista. No Senado há uma Comissão Especial encarregada justamente de acompanhar o desenrolar dos trabalhos. A visita recente foi a segunda e incluiu duas cidades de Pernambuco, Sertânia e Nova Floresta, e uma da Paraíba, Monteiro, no Cariri. Desta feita, foi sobrevoado o Eixo Leste, e da caravana fazia parte o ministro da Integração, Fernando Bezerra. Num dos trechos, o único pedaço com cara de coisa pronta é um canal executado pelo Exército, em torno de 5,5 quilômetros. A comprovação foi de paralisação em canteiros emergenciais. “Na Paraíba, não há nenhuma obra. A previsão é de que a licitação seja concretizada em uma semana”, adianta o jornalista.

Cássio Cunha Lima postou mensagem dizendo que a obra está toda picotada e que há trechos abandonados. O senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco, fez parte da comitiva. O ministro Fernando Bezerra salientou que a transposição estará concluída no final de 20015. O primeiro ano de governo de Dilma Rousseff já se foi e o empreendimento não evoluiu. De concreto, evoluiu o custo da obra, que passou para R$ 8,4 bilhões. Este é o terceiro calendário montado desde que Lula assegurou que levaria à frente a transposição. O quadro de abandono havia sido constatado por deputados estaduais da Paraíba, parlamentares federais e outras autoridades. Por sua vez, o jornal “Diário de Pernambuco” informa que a água virou moeda política do PT, citando que a presidente Dilma não atenderá ao pleito de governadores do Nordeste para desoneração do PIS e do Cofins das companhias estaduais de abastecimento de água. A presidente revelou que analisará a proposta, depois de ter sido divulgado o contrário após reunião da Sudene em Fortaleza. A medida teria víeis político, por ter sido proposta pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, virtual concorrente de Dilma na disputa presidencial do próximo ano.

Na prática, Campos teria incluído na agenda uma reivindicação defendida pelos dirigentes das empresas de saneamento há algum tempo. “Esse pleito é justo. A União tem que ir em frente com ele”, disse o presidente da Compesa (PE), Roberto Tavares. Se resolver anunciar a providência em 2014, Dilma ganhará o bônus da medida, como ocorreu com a desoneração de impostos nos produtos da cesta básica. Já o governador perderia a oportunidade de emplacar uma proposta que, de imediato, atingiria famílias vitimadas pala estiagem. Atualmente, o setor de saneamento paga ao governo federal R$ 2 bilhões, relativos ao PIS e Cofins. “Em um país como o nosso, carente de serviços, é preciso investir nessa área, principalmente no Norte e Nordeste”, diz José Carlos Barbosa, presidente da Associação Brasileira de Empresas Estatais de saneamento básico. O presidente da Compesa, Roberto Tavares, acentua que o problema não é a liberação de recursos pelo governo federal. “Recursos existem, e muitos, mas a burocratização é enorme”, alertou ele.

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