Por Nonato Guedes
Uma fonte qualificada revelou ao “RepórterPB” que o Partido dos Trabalhadores na Paraíba não retirou de pauta a possibilidade de lançar candidatura própria ao governo em 2014, sem prejuízo do engajamento direto pela reeleição da presidente Dilma e pela eleição de parlamentares federais e estaduais. O informante admitiu ter sido formado um grupo pela Executiva regional, durante reunião realizada anteontem à noite, para conversar com o ex-prefeito Luciano Agra sobre suas verdadeiras pretensões no próximo ano, diante das especulações de que ele pretenda sair candidato a deputado federal. O diálogo com Agra é importante para balizar os próximos passos. Se houver convicção de que o ex-prefeito titubeia em assumir a candidatura majoritária, serão examinados outros nomes, oriundos da composição com o PSC e o PP. Em caso de consenso quanto ao PT encabeçar a chapa e descartada a hipótese Luciano Agra, uma corrente influente dentro da legenda já está defendendo nos bastidores o lançamento da advogada Nadja Palitot, que atualmente coordena o Procon no município.
O argumento é o de que Nadja, além de filiada e afinada com a orientação petista, tem projeção política a partir da capital pelo fato de ter disputado a prefeitura, exercido mandato de vereadora e de deputada estadual, sendo conhecida, também, pela sua combatividade de posições e pelo discurso contundente em relação ao governo Ricardo Coutinho, do PSB. O governador, aliás, é visto como algoz de Nadja, por ter manejado os cordéis para tomar-lhe o comando socialista quando ingressou naquela agremiação levado pela própria ex-vereadora. Nadja, desde então, quebrou todo e qualquer vínculo com o projeto socialista no Estado e dedicou-se, por um tempo, à atividade profissional e à atividade acadêmica, mas sem deixar de levar em conta pretensões políticas, tanto assim que se filiou ao PT sem postular nenhuma prerrogativa de lançamento de candidatura.
Uma decisão que vai tomando corpo dentro do PT é a de romper o ciclo de composição com o PMDB. A avaliação que está sendo feita é a de que a agremiação ficou muito tempo a reboque do PMDB, participando de alianças em 2002, 2006 e 2010 ao governo do Estado. Nas duas últimas eleições, indicou candidatos a vice, o segundo dos quais Luciano Cartaxo, que só veio a ser empossado em virtude de decisão judicial que cassou o mandato de Cássio Cunha Lima e determinou a investidura do segundo colocado, no caso José Maranhão como cabeça de chapa. Petistas mais inflamados lembram que a retribuição do PMDB a essa aproximação do PT foi a declaração de José Maranhão, em 2012, de que manteria neutralidade no segundo turno, quando o confronto ficou desenhado entre Luciano Cartaxo e Cícero Lucena. A partir daí, adverte a fonte, ficou evidenciado que o PMDB não tinha interesse em oferecer contrapartida. Ainda agora, há fortes resistências ao apoiamento à candidatura de Veneziano Vital do Rego pelo PMDB, diante do alheamento que ele manteve em relação a disputas como a de 2012, no segundo turno, em João Pessoa. A fonte revelou que toda uma avaliação da conjuntura está sendo aprontada para ser submetida à apreciação do diretório nacional quando forem deflagradas as discussões mais avançadas em termos de composição de chapas para o próximo ano.
No que diz respeito a candidaturas à Câmara Federal, o PT poderá lançar três: a de Rodrigo Soares, presidente do diretório regional e secretário de Articulação Política do prefeito Luciano Cartaxo, a de Lucélio Cartaxo, superintendente da CBTU e a do deputado Luiz Couto, apesar da postura dúbia que ele tomou em 2012 e que foi objeto de censura entre correntes petistas. Mas a expectativa do Partido dos Trabalhadores é a de eleger pelo menos dois federais, até porque está havendo uma redução de bancadas que afetará o Estado da Paraíba. Nessa hipótese, poderiam ser favorecidos Lucélio e Rodrigo Soares. Em relação a rumores de que o PT está interessado em “enquadrar” o deputado Anísio Maia por posturas críticas ao governo federal sobre o tratamento dispensado à questão da estiagem, na Paraíba, a fonte esclareceu que não há movimento para censurar o deputado e, sim, para inteirá-lo das providências tomadas pelas gestões petistas em relação às demandas do Nordeste. A conversa, nesse caso, além de Anísio, envolverá o deputado Frei Anastácio Ribeiro, para que eles tenham informações corretas a respeito da ação desenvolvida pelo governo desde os mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com relação a uma eventual aliança com o PSB na Paraíba, está fora de qualquer cogitação, de acordo com o informante.

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