quinta-feira, 18 de abril de 2013

Jornalista lança livro sobre líder camponês paraibano

18/04/2013


Reporter PB

No próximo dia nove de maio, no plenário “José Mariz”, da Assembléia Legislativa, o jornalista Nonato Nunes fará o lançamento do livro intitulado “João Pedro Teixeira, um mártir do latifúndio”, editado pela “Prefácio”, com 280 páginas. Nunes ressalta que o teor da obra é a narrativa da trajetória de um homem que tinha na liberdade um dos seus fundamentos de vida. Ele desvenda a batalha de João Pedro contra a exploração do trabalhador rural, o que lhe custou a vida, em emboscada nas proximidades de Sapé-Café do Vento, na década de 60, articulada por usineiros e proprietários rurais da região da Várzea da Paraíba. Embora haja outros trabalhos versando sobre o personagem, da lavra de profissionais de imprensa veteranos como Severino Ramos, que acompanhou de perto o movimento camponês e a repressão imputada após o golpe militar de 64, Nonato Nunes, filho de trabalhador rural, garante que dá um enfoque justo e diferente ao protagonista.

Para ele, João Pedro Teixeira jamais teve reconhecido o seu verdadeiro papel dentro do movimento do campesinato que sacudiu o Nordeste nas agitadas décadas de 50 e 60, “quando, na verdade, o grande timoneiro de todo aquele processo foi justamente ele. O detalhe é que João Pedro não era muito de fazer discurso, mas sabia fazer da prática o motor de propulsão das ideias que defendia”, revela Nonato Nunes. Ele comenta que as elites que compõem a base do pensamento triunfante em todo o mundo, costumam adotar o chamado “apartheid” intelectual e teriam confinado João Pedro a essa espécie de “gueto”. No esforço para endossar seus argumentos, o jornalista indaga: “Ora, por que se dar projeção a um homem pobre, preto, analfabeto e sem perspectivas de ascensão social?”. Nonato narra que quando o ex-presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy, idealizou vir à Paraíba a pretexto de conhecer a área de conflagração de Sapé, estava inteirado da articulação promovida por um homem do povo, que morava em casa humilde, no sítio Barra de Antas. “Ali, foi realizada a primeira reunião com outros camponeses, ansiosos por liberdade e justiça e que culminaria com a criação da lendária Liga Camponesa de Sapé”. Reunião que, na sua descrição, valeu a João Pedro uma sessão de espancamentos.

No seu trabalho, Nonato Nunes especula como seria o encontro do então poderoso chefe de Estado do planeta com o camponês humilde que passara fome no Recife até regressar às várzeas da Paraíba para sobreviver. “Fico imaginando aquele pobre homem alçado a um nível de grandeza tal qual os maiores líderes mundiais...É qualquer coisa de arrepiar”, diz o autor, demonstrando emotividade ao imaginar uma cena que não aconteceu. Ele acrescenta que o livro não pretende ser um trabalho definitivo sobre o biografado. Até porque personagens que vivenciaram a luta de João Pedro Teixeira fizeram relatos com autoridade a respeito da sua atuação, como, igualmente, o ex-deputado Francisco de Assis Lemos, expoente das Ligas Camponesas na Paraíba e interlocutor junto ao ex-presidente João Goulart de reivindicações do campesinato do Estado e do Nordeste, além de amigo pessoal do ex-governador Miguel Arraes, de Pernambuco, deposto pelo golpe militar quando tentava resistir no Palácio do Campo das Princesas, no Recife.

O ex-deputado Assis Lemos, que retornou definitivamente à Paraíba depois de passagens pelo Paraná, salienta que é válida qualquer contribuição no sentido de resgatar episódios da luta dos trabalhadores rurais que sofreram violências cometidas pelo golpe imposto em 31 de março de 1964. No próximo ano, o golpe, que as autoridades militares insistiram em denominar de “Revolução”, completa meio século de deflagração, e está em curso uma Comissão Nacional da Verdade instituída pela presidente Dilma Rousseff para apurar arbitrariedades e denunciar responsáveis por atos de violência, embora, do ponto de vista legal, a adoção de punições seja difícil, por causa da aprovação da Lei da Anistia recíproca pelo Congresso Nacional. Abstraindo as dificuldades de punição, Assis Lemos considera, como disse ao “RepórterPB”, que a reconstituição de detalhes dos episódios macabros verificados naquele período é importante para o conhecimento, sobretudo, das novas gerações. O lançamento do livro de Nonato Nunes tem o apoio do deputado estadual Frei Anastácio, do Partido dos Trabalhadores, conhecido pela cruzada em defesa dos direitos humanos e pela apuração de arbitrariedades cometidas durante o regime militar
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