16/04/2013
Fonte Uol
Alves não garantiu que dará prioridade ao projeto nem que pedirá
urgência aos líderes partidários para que a proposta tramite de forma
mais rápida que as demais na Casa Legislativa. Já Renan foi mais
incisivo e disse que o tema terá prioridade.
"Este é um clamor da sociedade a que precisamos dar uma resposta", afirmou o governador paulista.
"Ela [a proposta] não trata, por enquanto, da questão da maioridade
[penal]. Então ela vai tramitar como prioridade. É um compromisso que eu
assumi com o governador", disse Renan Calheiros (PMDB-AL) após se
reunir com Alckmin. "Todo assunto que a sociedade debate
obrigatoriamente precisa ser debatido no Parlamento. Esse é um assunto
que preocupa a sociedade e será discutido aqui prioritariamente."
"[A proposta] que eles querem é muito serena e respeita aos anseios e quase angústias da sociedade", afirmou Alves.
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Estudantes pedem redução da maioridade penal após morte de colega14 fotos
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11.abr.2013
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última terça (9) Leia mais J. Duran Machfee/Futura Press
Tramitação
A proposta de Alckmin foi apadrinhada pelo líder dos tucanos na Câmara
dos Deputados, Carlos Sampaio (PSDB-SP), que protocolou hoje o projeto
de lei na Câmara sob seu nome. O projeto iniciará sua tramitação na
Câmara, para depois ir ao Senado.
Em entrevista coletiva após a reunião com Alves, Alckmin detalhou a
proposta que permitirá o aumento de três para oito anos a internação do
menor que cometeu crimes como homicídio qualificado, latrocínio,
extorsão mediante sequestro, estupro -- ou seja, aqueles previstos na
lei como crimes hediondos.
Outra mudança seria a criação do regime especial de atendimento.
"Completou 18 anos separa [o infrator], ele vai para o regime especial
de atendimento dentro da Fundação Casa. Não vai para a penitenciária se
misturar com presos de penitenciária. Fica na própria fundação separada
dos menores de 18 anos", detalhou.
O novo texto também prevê que menores infratores com problemas mentais,
como o caso de Champinha, que matou a adolescente Liana Friendebach,
fiquem internados, separados dos demais, por tempo indeterminado dentro
do regime especial, com a manutenção da detenção definida pela justiça.
Segundo a bancada do PSDB na Câmara, desde 2000, tramitavam, pelo
menos, 30 projetos de alterações ao ECA (Estatuto da Criança e do
Adolescente). Dentre eles, o que alterava o tempo de internação do menor
infrator foi relatado por Carlos Sampaio em 2007. O projeto chegou a
ser aprovado em algumas comissões permanentes da Câmara, mas foi
arquivado por ter conteúdo conflitante com a Sinase (Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo), que trata dos princípios, regras e
critérios referentes à execução de medidas socioeducativas.
Questionado sobre a possibilidade da proposta se perder em meio a
outros milhares de propostas no Congresso, Alckmin apostou no clamor da
sociedade por mais justiça como pressão aos parlamentares e,
principalmente, ao fato de não incluir a redução da maioridade penal de
18 para 16 anos.
"A proposta tem quatro alterações. Ela não mexe na Constituição
brasileira. Ela não altera a maioridade penal. Ela modifica o ECA, que é
lei. Eu quero cumprimentar o Estatuto que protege a criança e o
adolescente, preserva os seus direitos, mas não dá uma resposta adequada
para casos de reincidência e graves", afirmou o governador paulista.
Mudanças mais profundas
O advogado e vereador Ari Friedenbach (PPS-SP) disse ser contra a
redução de 18 para 16 a maioridade penal. Ele defende que os menores
infratores possam responder criminalmente da mesma forma que os adultos
respondem em casos de crime como latrocínio (roubo seguido de morte),
sequestro e estupro, por exemplo.
"Responder criminalmente, [apoio] sim. Mas reduzir a maioridade vai
adiantar muito pouco. Para reduzir para 16 [anos], vai continuar a
impunidade com o assassino de 15 anos. Precisamos de algo mais
abrangente", afirmou.
Friedenbach é pai da estudante Liana Friedenbach, 16, que foi
brutalmente assassinada junto do namorado, Felipe Caffé, 19, em 2003,
quando se preparavam para acampar em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo. O
grupo que os atacou era formado por quatro adultos e um menor, Roberto
Aparecido Alves Cardoso, mais conhecido como Champinha, então com 16
anos.
A ideia de Friedenbach é defendida pelo ex-prefeito e ex-governador de
São Paulo, José Serra (PSDB), que também defendeu penas mais severas
para menores que cometeram crimes hediondos.
Segundo Friedenbach, a internação em unidades "especiais" como a de
Champinha é cara e uma das soluções seria encaminhar os menores para as
prisões.
Champinha ficou internado por três anos na Fundação Casa, antiga Febem.
Desde então, está internado em uma unidade especializada para pessoas
com transtornos de personalidade, localizada na Vila Maria, em São
Paulo.
À época do crime de Champinha, o então governador Geraldo Alckmin já
criticava o pouco tempo de internação na Fundação Casa. Ele, agora,
pretende alterar a lei para aumentar o tempo de internação.
Segundo Serra, há cerca de 10 anos, quando ocorreu o crime, o PSDB
chegou a apresentar projetos de mudança na lei, mas as propostas não
avançaram.