A ex-secretária de Saúde de Campina Grande, a médica Tatiana Medeiros, lamentou nesta quinta-feira, 10, os números apresentados pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, dando conta que somente neste ano, 44 recém-nascidos morreram no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea) – a maternidade municipal.
“Número ALARMANTE, considera a ouvidoria nacional dos direitos humanos!Só esse ANO 44 recém-nascidos morreram na Maternidade MUNICIPAL de CG-ISEA, em uma semana morreram 08! "INOVAÇÃO"??? – disse a médica em uma rede social.
A médica disse que na gestão passada não houve mortes nesse patamar: “Lembro-me que em anos anteriores, a UTI do Isea apresentou problemas no gerador e mesmo assim agimos eficientemente para não prejudicarmos as parturientes”, destacou.
A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos encaminhou a denúncia ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) solicitando a apuração dos casos.
Conforme o material enviado ao MPPB, em apenas uma semana ocorreram oito mortes na unidade. Os números apresentados pela direção da maternidade indicam que neste ano já foram contabilizados onze óbitos a mais que no primeiro trimestre do ano passado, quando foram registradas 33 mortes.
Mesmo com o aumento, a direção da unidade considera que o número está dentro da média histórica e atribui o problema à má qualidade do acompanhamento pré-natal. Já o Ministério Público cobra a melhoria dos serviços e a redução das mortes.
O assunto foi discutido ontem, durante reunião realizada na sede do órgão em Campina Grande.
Segundo o promotor da Infância e Juventude, Herbert Targino, além da denúncia feita pela Ouvidoria de Diretos Humanos, o MPPB também recebeu denúncias do Conselho Tutelar, solicitando a apuração do número elevado de mortes. “Não se justifica que após um decréscimo entre 2012 e 2013 nós tenhamos um aumento de 2013 para 2014. O sistema tem que reconhecer que está havendo falha. Se a falha não ocorre no Isea, ela está sendo em outro local e precisa ser resolvida”, afirmou.
Após a reunião, o promotor informou que o MPPB vai investigar as causas das mortes e cobrar melhorias no atendimento do Isea. Para ele também é importante melhorar o atendimento na rede básica de saúde, que deve investir na qualidade do pré-natal. “É necessário que as unidades de saúde façam busca ativa nas comunidades, acompanhando as gestantes, o pré-natal e pós-parto de perto, ao invés de ficar esperando que as pessoas busquem atendimento”, salientou.
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