Cajazeira: árvore da família das anacardiáceas (Spondias lutea), muito freqüente nas várzeas e nas matas de terra firme argilosa do Amazonas, folhas compostas de muitos folíolos oblongos, flores insignificantes e agregadas em inflorescências racemosas, e cujo fruto é uma dupla elipsóide amarela, aromática, muito sucosa e fortemente azeda, própria para refrescos e sorvetes.
Foi exatamente a árvore cajazeira que deu origem ao nome da Fazenda Cajazeiras e consequentemente ao município. A área foi concedida ao pernambucano Luiz Gomes de Albuquerque pelo governador da Capitania, Jerônimo José de Melo.
Conforme documentos do final do século XVIII, o governador da Capitania, Luiz Antônio Lemos Brito, concedeu por sesmaria a Francisco Gomes Brito e José Rodrigues da Fonseca as terras que margeavam a Lagoa de São Francisco. As sobras das mesmas terras eram concedidas, após 13 anos, a Luiz Gomes de Albuquerque, justamente o pai de Ana Francisca de Albuquerque, depois conhecida como Mãe Aninha, a mãe de Inácio de Sousa Rolim, o padre Rolim. Do casamento com Ana e Vital de Sousa Rolim, nasce Inácio, no Sítio Serrote, no dia 22 de agosto de 1800. No mesmo ano, começa a construção da casa da família Rolim no Sítio das Cajazeiras Luiz Gomes fez doação do sítio à filha Ana de Albuquerque que, quando contraiu o seu matrimônio com Vital de Souza Rolim, transformou a localidade em uma grande fazenda de gado.
Às margens do rio que atravessava a fazenda construíram, no ano de 1804, uma casa conhecida como “A Casa Grande da Fazenda”. Próximo ao local, foi feito um reservatório d’água denominado de “Açude Grande” que destinava-se ao abastecimento dos moradores e para a criação de animais.
Numa pequena colina, percebiam-se as manifestações de uma comunidade às vistas de um reservatório d'água, até hoje chamado de "Açude Grande".
No ano de 1915 houve uma grande seca, sendo necessário a ampliação do açude. Ana de Albuquerque iniciou a construção da Capela de Nossa Senhora da Piedade, da qual era devota, no ano de 1834.
A pequena Capela que foi construída por “Mãe Aninha” (Ana de Albuquerque, mãe do Padre Rolim) veio a ser a catedral do bispado, cuja padroeira era Nossa Senhora da Piedade, hoje Matriz de Nossa Senhora de Fátima. O 1º Vigário foi padre José Tomaz de Albuquerque e o 1º bispo foi dom Moisés Coelho, que tomou posse no dia 29 de junho de 1915.
O casal também teve outros filhos, mas foi Inácio que se destacou e pela inteligência e pelo espírito visionário,depois de ter recebido os princípios da sua formação na cidade do Crato-CE, ele se ordena sacerdote em setembro de 1825, em solenidade presidida por Dom Tomaz de Noronha, no Palácio Episcopal de Olinda-PE.
As origens da cidade estão ligadas à "Escolinha de Serraria", criada por volta de 1829, numa casa de madeira, pelo padre Inácio de Souza Rolim, e que após quatro anos, começou a crescer em Cajazeiras - terra natal do mestre - e foi escolhia para receber as bênçãos de um educador preocupado em conscientizar os seus alunos para novos caminhos, embasados política, cultural e religiosamente. Sete anos depois, a escolinha se muda para um prédio maior, de alvenaria, e começa a atrair alunos de vários Estados do Nordeste do Brasil.
Foi no ano de 1843 que o Padre Rolim, ergueu uma “Casa Escola” na fazenda dos seus pais, mais tarde denominada de colégio, que começou a atrair estudantes de vários municípios circunvizinhos e até de outras províncias, inclusive, em regime de internado, como o Padre Cícero, do Juazeiro do Norte, conhecido missionário.
Outras personalidades estudaram e passaram a morar nas imediações do colégio, sendo esse o motivo pelo qual costuma-se dizer que Cajazeiras é a terra que ensinou a Paraíba a ler. Foram as moradias construídas perto do colégio que deram origem ao município de Cajazeiras, fundado pelo Padre Inácio de Souza Rolim em 22 de agosto de 1863.
O Colégio funcionou no mesmo prédio onde foi instalada a Escola Normal criada em 1836, hoje Colégio Nossa Senhora de Lourdes.
No dia 20 de junho de 1864 foi instalado oficialmente o primeiro governo municipal assumindo o comando cajazeirense o vereador-presidente da Câmara, padre José Tomaz de Albuquerque.
De acordo com relato do historiador Deusdedith Leitão, antes mesmo que conquistasse a sua desejada autonomia a cidade de Cajazeiras já experimentara relativa projeção no cenário político da província, ao eleger o bacharel Manoel de Sousa Rolim como deputado na legislatura de 1844 a 1845. Contudo, limitava-se à representação do distrito à Câmara Municipal de Sousa, de cujo poder participou como representante dos cajazeirenses, o futuro comandante Vital de Souza Rolim.
Na condição de vereador e representante do distrito junto à Câmara Municipal de Sousa coube a Vital Rolim (neto do fundador) instalar em 20 de junho de 1864 o município de Cajazeiras, que fora criado pela lei provincial de número 92 de 23 de novembro de 1863 cujo destino político e administrativo era confiado à Câmara Municipal também instalada no mesmo dia, sob a presidência do benemérito sacerdote cajazeirense Padre José Tomaz de Albuquerque que fora igualmente o primeiro vigário da paróquia.
No período de 12 anos que Cajazeiras passou como vila, um dos mais agitados politicamente, foi marcada por episódios que inquietaram a sua gente e concorreram para desencadeamento de fatos, como o brutal assassinato do tabelião Leandro Soares.
Esse período marcava os desencontros entre liberais e conservadores que, inclusive, chegaram a motivar a intervenção oficial feita pelo barão de Maraú.
A cidade de Cajazeiras é uma ótima pedida para quem quer desfrutar de um clima interiorano, com suas praças bem cuidadas, coretos e igrejas. O corpo do fundador da cidade está enterrado em local inexato dentro da Matriz de Nossa Senhora de Fátima( Primeira Capela da Cidade ). Reformas inconsequentes modificaram o perfil da construção, mas sem tirar sua beleza. Igualmente bela é a Igreja Nossa Senhora da Piedade que data de 1834. Para conhecer um pouco da história da cidade e de seus ancestrais, a casa paroquial disponibiliza informações em seu acervo.
A primeira casa da cidade que, atualmente, abriga o sodalício Cajazeiras Tênis Club. No local, ilustrações relembram a antiga sede da primeira casa-grande que deu origem a cidade.
A criação do município de Cajazeiras deu-se no dia 23 de novembro de 1863, quando o então Presidente da Província da Paraíba do Norte, Francisco de Araújo Lima sancionou a Lei n o 92. Por esta mesma Lei a povoação de Cajazeiras foi elevada à categoria de Vila.
No dia 10 de julho de 1876 pela Lei de n o 616 foi elevada à categoria de cidade a então Vila de Cajazeiras.
Apesar de Cajazeiras ter duas importantes datas na sua história, a Câmara Municipal, no ano de 1948 aprovou um projeto de Lei de autoria do então vereador Geminiano de Sousa que estabelecia o dia 22 de agosto, dia do nascimento do Padre Inácio de Souza Rolim, para ser comemorado o dia da cidade, que foi transformado em feriado municipal.
Antigas Imagens do Desfile Cívico de 22 de agosto em Cajazeiras em galeria.
A realização do desfile cívico de 22 de agosto é uma alusão ao nascimento do Mestre Padre Inácio de Souza Rolim (1800-1899). Foi oficializado em 1948, através do decreto-lei, aprovado pela Câmara Municipal e instituído pelo então Prefeito Arsênio Rolim Araruna (1947-1951). O autor da propositura foi o vereador Germiniano de Souza, que acostado na ideia do Professor Antônio José de Souza, apresentou aos seus pares a matéria obtendo a aprovação dos mesmos. O desfile sempre foi para os cajazeirenses uma festa regada a ufanismo e civismo. Um blefe que vai ao encontro com as raízes do passado que plantaram a Cajazeiras de hoje. Uma data onde a população com fervor, se veste de história e com alegria festeja a obra do grande mestre fundador da cidade. Estamos a poucos dias de mais uma versão dessa grande homenagem ao Padre Inácio. Abaixo elencamos para você, várias imagens fotográficas do passado dessa parada de natureza cívica que são verdadeiros documentos; registros desse momento ruidoso.
Sobre o Autor da propositura que deu origem o dia 22 de agosto:
Germiniano de Souza nasceu em 14 de junho de 1896. Era filho de Antônio Regino de Souza e de Ana Florentina Gomes Barbosa. Casou-se com Maria Percincula Andrade Vieira de Souza, conhecida por Lica. Depois de residir por muito tempo em São José de Piranhas, onde era dono de um cartório, veio na década de 30 morar em Cajazeiras, tornando-se comerciante com estabelecimento na nua Tenente Sabino, atual Calçadão da Tenente Sabino. Homem destemido participou da revolução 30 ao lado de Otacílio Jurema e José Guimarães Braga. Corajoso, amante da ordem e da lei, foi convidado várias vezes para assumir o comando da delegacia de Cajazeiras, exercendo com brilhantismo sob aplausos da sociedade local. Era "valente, porém amigo e leal", assim definia o seu filho Francisco Assis de Souza, o Major Chiquinho. Um inteligente autodidata, grande conhecedor da bíblia, "determinado e um tio amoroso", assim destacava a sua sobrinha Cleonice de Souza. Graça a um projeto de lei (1972-1976), de autoria do Vereador José Antônio de Albuquerque, Geminiano de Souza, falecido em 1968, tornou-se nome de Rua em Cajazeiras. É a artéria que se inicia nas proximidades do Posto Marauto, final da Juvêncio Carneiro.
Nessa data tão importante dos 151 Anos, o cancaonoticias Parabeniza Cajazeiras por seu aniversário.
fotos
Fonte Cajazeiras de Amor
SertaodaParaiba
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