Após ter solicitado o adiamento da sessão do Congresso Nacional marcada para apreciar vetos presidenciais a “pautas-bomba”, o governo federal mudou de posição e passou a defender que a votação ocorra nesta terça-feira (22) para dar um sinal positivo ao mercado. Para isso, líderes da base aliada foram convocados a contabilizar as intenções de voto nas bancadas e repassar as informações ao líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE).
Segundo o Palácio do Planalto, a manutenção dos vetos é crucial para as finanças da União, porque a implantação das medidas vetadas por Dilma anularia parte do esforço de ajuste fiscal que o governo tenta fazer para evitar um rombo de R$ 30,5 bilhões no Orçamento de 2016.
“A atividade política é de risco. É melhor vencermos essa agonia que existe há semanas e semanas. Prefiro que o Congresso seja chamado hoje a fazer essa reflexão. É fundamental mantermos o veto”, ponderou Guimarães.
Estão na pauta de votação do Congresso a análise de 32 vetos, entre os quais o que barrou um reajuste de até 78% aos servidores do Judiciário. De acordo com o Ministério do Planejamento, a eventual retomada desses dispositivos vai gerar um gasto extra de R$ 23,5 bilhões no ano que vem e R$ 127,5 bilhões até 2019.
A decisão de tentar votar os vetos nesta terça foi tomada após o dólar passar a máxima histórica de R$ 4. A alta vem na esteira das preocupações do mercado com votações no Congresso e com a possibilidade de o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, elevar os juros este ano. Às 16h, a moeda norte-americana tinha alta de 1,96%, vendida a R$ 4,0590.
Após se reunir com José Guimarães, o líder do PDMB na Câmara, deputado Leonardo Picciani, também confirmou o esforço para votar os vetos na noite desta terça. “Há uma reação [por parte do governo]. A forma como o mercado está hoje indica que não tem como postergar essa decisão”, avaliou o peemedebista.
Picciani disse que vai defender, junto à bancada, a manutenção de todos os 32 vetos presidenciais. “Derrubar os vetos seria uma absoluta falta de bom senso. O impacto disso seria maior que o ajuste. O Congresso será cobrado por sua coerência nessa votação. O país não pode suportar a derrubada desses vetos”, afirmou.
As bancadas de diversos partidos, entre os quais PMDB e PSD, se reúnem a partir das 16h para buscar uma posição unificada a respeito dos vetos. A decisão final sobre o adiamento ou não da sessão do Congresso será tomada por volta das 19h, depois que os partidos relatarem a quantidade de votos que calculam obter pela manutenção dos vetos.
G1
Nenhum comentário:
Postar um comentário