06/12/2016
"A proposta leva em conta direitos adquiridos, inatacáveis. Nada muda para quem recebe os benefícios ou que completaram os requisitos para se aposentar. Aqueles que já completaram as condições para o acesso [ao benefício previdenciário], não precisam se preocupar. Seus direitos não serão atingidos", disse o presidente Michel Temer nesta segunda-feira.
Pelo sistema atual, para os contribuintes do sistema urbano, o contribuinte precisa fazer uma pontuação mínima para conseguir se aposentar com 100% do benefício. Essa pontuação é calculada pela soma da idade da pessoa e o tempo de contribuição e tem que ser de pelo menos 95 para homens e de 85 para mulheres. Esse cálculo é uma alternativa ao fator previdenciário, aplicado caso o trabalhador queira se aposentar antes, mas com um benefício menor.
A proposta de reforma da Previdência visa evitar um crescimento ainda maior, no futuro, do rombo da Previdência Social - cuja previsão é de R$ 230 bilhões para 2017, englobando trabalhadores do setor privado, público e as pensões de militares, o equivalente a 3,46% do PIB. Os números constam na proposta de orçamento do ano que vem.
Por alterar a Constituição, as propostas de emenda têm uma tramitação mais longa no Congresso. Inicialmente, é analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para verificar se não fere nenhum princípio constitucional.
Após anunciar as linhas gerais da proposta de reforma da Previdência, Temer recebeu no Palácio do Planalto representantes de centrais sindicais.
O Governo
detalha nesta terça-feira (6) aProposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre a reforma da Previdência
Social,que será analisada pelo Congresso Nacional. O documento
foi encaminhado pelo Executivo no final da noite desta segunda (5). O governo
confirmou que vai fixar a idade mínima de aposentadoria de 65 anos. As novas
regras valerão integralmente para os mais jovens e haverá medidas de transição
para homens com mais de 50 anos.
Os detalhes da
reforma da Previdência serão apresentados pelo secretário de Previdência do
Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, nesta manhã, a partir das 9h30, no
Palácio do Planalto.
Segundo o líder
do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), os militares ficarão de fora da
reforma da Previdência. Haverá, de acordo com ele, uma proposta em separado
para eles.
Além disso,
também será estabelecida uma contribuição para os trabalhadores rurais, mas a
idade ainda está sendo discutida. Ele confirmou ainda que os estados e
municípios poderão aderir ao Funpresp.
O objetivo do
governo ao propor uma reforma da Previdência é tentar manter a sustentabilidade
das contas públicas, diante de um déficit crescente do sistema previdenciário
brasileiro – que resulta de regras atuais mais benéficas do que no resto do
mundo, de um envelhecimento da população brasileira e de queda na taxa de
natalidade no país.
Em estudo, o
governo informa que a média de idade da aposentadoria no Brasil, de 58 anos em
2015, está entre menores do mundo. A média de idade da
aposentadoria nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE) – grupo de nações desenvolvidas – é de 64,2 anos para os
homens (ano base 2012).
Segundo o
ministro Eliseu Padilha, sem a reforma, em 2024, todo o orçamento da União será
utilizado para pagar a folha de pagamentos e a aposentadoria. "Nós não
estamos inovando. Eu cito, como curiosidade: o primeiro regime previdenciário
brasileiro tinha idade mínima de 65 anos, que é a idade que está sendo proposta
agora", afirmou Padilha durante a reunião.
Durante o
encontro, Temer defendeu a proposta. "Chega de pequenas reformas. Ou
enfrentamos [a necessidade de reformar a Previdência] ou iremos condenar os
aposentados a bater nas portas do Poder Público e nada receberem [no
futuro]."
Na avaliação do
ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a reforma da Previdência "não é
questão de desejo, mas uma necessidade". "Mais do que a idade em que
a pessoa vai se aposentar, [importante] é a segurança de que vai receber [a
aposentadoria]", disse.
Ele explicou
que, atualmente, uma em cada 10 pessoas é idosa no Brasil e acrescentou que, em
2060, será um idoso para cada três pessoas. "É uma situação cada mais
difícil de pagar a conta dos aposentados. Todos os meses o regime geral paga
cerca de 29 milhões de benefícios, equivalentes a R$ 34 bilhões por mês",
afirmou Meirelles.
Direito adquirido e regra de transição
"A proposta leva em conta direitos adquiridos, inatacáveis. Nada muda para quem recebe os benefícios ou que completaram os requisitos para se aposentar. Aqueles que já completaram as condições para o acesso [ao benefício previdenciário], não precisam se preocupar. Seus direitos não serão atingidos", disse o presidente Michel Temer nesta segunda-feira.
De acordo com a
proposta do governo federal, as novas regras de aposentadoria valerão para
homens com até 50 anos. Quem já estiver acima dessa idade, será submetido a uma
regra de transição – que até o momento ainda não foi esclarecida pelo governo
federal.
O lider do
governo no Senado, Romero Jucá, informou, que, na regra de transição, ficará
estabelecido que as mulheres com mais de 45 anos terão direito - ou seja, um
regra mais benéfica do que no caso dos homens.
Regras atuais
Pelo sistema atual, para os contribuintes do sistema urbano, o contribuinte precisa fazer uma pontuação mínima para conseguir se aposentar com 100% do benefício. Essa pontuação é calculada pela soma da idade da pessoa e o tempo de contribuição e tem que ser de pelo menos 95 para homens e de 85 para mulheres. Esse cálculo é uma alternativa ao fator previdenciário, aplicado caso o trabalhador queira se aposentar antes, mas com um benefício menor.
No caso da
aposentadoria rural, a regra atual exige que, para requerer a aposentadoria, os
trabalhadores devem ter 60 anos (homens) e 55 (mulheres) e comprovar 15 anos de
trabalho no campo. Não é preciso ter contribuído para o INSS.
Para os
servidores públicos, há várias regras, mas a geral é por idade, sendo 60 anos
para homens e 55 para mulheres, com 35 anos de contribuição (masculino) e 30
anos (feminino). Essa regra permanente vale para pessoas que ingressaram nas
carreiras depois de 1998.
Quem ingressou
antes de 1998 tem acesso a algumas regras de transição que permitem a essas
pessoas se aposentaram antes. Não há necessidade de ter 35 e 30 de
contribuição, para homens e mulheres, podendo ter apenas 65 e 60 anos de idade.
Para calcular o
valor do benefício, quem ingressou até 2003, pode vir a receber o valor do seu
último salário como benefício - dependendo das regras de transição - e quem
ingressou após vai receber a média dos salários.
Ainda no caso
do serviço público, o servidor que entrou a partir de fevereiro de 2013 tem o
benefício limitado ao teto do INSS. Para receber acima deste valor, tem de
contribuir para o Funpresp - um fundo de pensão dos servidores, pelo qual ele
pode aportar até 8,5% do salário com uma contrapartida equivalente patronal.
Já no caso das
pensões de militares, quem ingressou depois de agosto de 2001 não tem direito
de gerar pensão vitalícia para a filha. O militar que entrou até agosto de 2001
e optou por contribuir com 1,5% além do valor nomal tem assegurado o direito da
pensão vitalícia para a filha.
Segundo números
oficiais, a aposentadoria rural paga, atualmente, cerca de 9,3 milhões de
benefícios, enquanto a aposentadoria urbana (sem contar servidores públicos e
militares) registra o pagamento de 18,75 milhões de benefícios. Há ainda as
pensões por morte, que somam 7,5 milhões.
Rombo bilionário
A proposta de reforma da Previdência visa evitar um crescimento ainda maior, no futuro, do rombo da Previdência Social - cuja previsão é de R$ 230 bilhões para 2017, englobando trabalhadores do setor privado, público e as pensões de militares, o equivalente a 3,46% do PIB. Os números constam na proposta de orçamento do ano que vem.
O déficit do
sistema previdenciário é pago por toda sociedade, com recursos obtidos por meio
da arrecadação de impostos. Neste ano, o déficit dos sistemas de Previdência
Social do país deve ficar em cerca de R$ 200 bilhões (3,2% do PIB). Com isso, a
previsão é de um aumento de cerca de 16%, ou de R$ 30 bilhões, no rombo dos
sistemas previdenciários em 2017.
Somente para o
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sistema público que atende aos
trabalhadores do setor privado, a previsão é um déficit de R$ 181,2 bilhões
(2,66% do PIB no próximo ano). Em 2016, a previsão é de um déficit de R$ 151,9
bilhões (cerca de 2,4% do PIB).
De todo o rombo
previdenciário, a maior parte refere-se à aposentadoria rural, no caso do INSS,
e aos servidores públicos e militares - que possuem regimes próprios. Em 2015,
o rombo da aposentadoria rural somou R$ 91 bilhões e, dos servidores públicos e
militares, totalizou R$ 72,5 bilhões. Se os estados forem incluídos nessa
conta, o tamanho do buraco fica maior ainda: R$ 133,4 bilhões no ano passado.
Segundo
previsão do governo, sem mudança das regras, a despesa do Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS) para pagar todos os benefícios, que hoje fica em 8% do
Produto Interno Bruto (PIB), pode passar, em 2060, ao equivalente a 17% do PIB
- algo como mais de R$ 600 bilhões a mais. Sem mudanças, a previsão do do
secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, é de que
as contas podem "degringolar" no futuro.
Para o ministro
da Fazenda, mais importante do que manter a idade mínima para se aposentar é
garantir que a aposentadoria será paga, ou seja, é garantir que o sistema
previdenciário será sustentável nos próximos anos. Falando sobre o sistema
atual de aposentadorias, o ministro disse ainda que “é injusto conceder
privilégios a pequenos grupos”, citando o serviço público.
Tramitação da PEC
Por alterar a Constituição, as propostas de emenda têm uma tramitação mais longa no Congresso. Inicialmente, é analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para verificar se não fere nenhum princípio constitucional.
Caso a CCJ
entenda que a proposta é constitucional, é criada uma comissão especial para
analisar a PEC. O colegiado elabora e vota um parecer. Se aprovado, o texto é
enviado para análise do plenário da Casa.
No plenário da
Câmara dos Deputados, a PEC tem de ser aprovada, em dois turnos, por três
quintos dos deputados (308 votos). Ao final, tem de passar, ainda, pela
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e por dois turnos no
plenário daquela Casa – com aprovação, novamente, de três quintos dos senadores
(49 votos).
Se o Senado
aprovar o texto como o recebeu da Câmara, a emenda é promulgada e passa a valer
como lei. No caso de alteração, o texto é enviado novamente para a Câmara, que
analisa as alterações feitas pelos senadores.
Reação das centrais
Após anunciar as linhas gerais da proposta de reforma da Previdência, Temer recebeu no Palácio do Planalto representantes de centrais sindicais.
Ao deixar a
reunião, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva
(SD-SP), o Paulinho da Força, disse que a proposta, "do jeito que está,
não passa".
"O
Congresso vai fazer o papel que o governo não fez, que é a negociação com as
centrais. O ideal era que o governo tivesse discutido com as centrais à
exaustão [...]. O governo terá a maior confusão da história do Brasil",
acrescentou.
Paulinho disse,
ainda, que as centrais sindicais deverão se reunir nesta terça (6) para
discutir como conseguir mudar trechos da proposta.
Participaram da
reunião no Planalto representantes, além da Força, da União Geral dos Trabalhadores
(UGT), da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), da
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), da Central dos
Sindicatos Brasileiros (CSB) e da Nova Central Sindical de Trabalhadores.
G1
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