22.06.2021
Josival Pereira
O marco das 500 mil mortes por covid-19 no Brasil indica que haverá uma mudança na maneira como se enxerga a gestão da pandemia no Brasil. Se já era ruim, vai piorar.
A repercussão dos números nas últimas horas revela uma tendência de aprofundamento da ideia de que o governo não fez o que deveria ser feito para salvar vidas. Pior: parece estar cristalizando o sentimento de que o governo do presidente Jair Bolsonaro é culpado.
A CPI da Pandemia politizou muito a discussão sobre responsabilidade pelo agravamento da pandemia no país. Em muitos momentos, a impressão mais forte é de que a oposição está vencendo o debate, mas o governo sempre reage, às vezes, equilibra o jogo.
Mas a situação agora é diferente. Existe um número forte: 500 mil mortos, meio milhão de vidas que se foram. Envolve mães, pais, esposas, esposos, filhos, avós, irmãos, parentes, famílias. Envolve amigos. Envolve coração, amor. Difícil segurar a explosão de sentimentos.
A discussão parece estar saindo do campo da política, da oposição. O que mais se vê nas últimas horas são artistas de prestígio publicando mensagens lamentando as 500 mil mortes do Brasil. Haverá uma lista infinda. O impacto disso é insondável.
No exterior, a repercussão da mortandade no Brasil apareceu associada a denúncia contra o presidente Bolsonaro à Corte de Haia por crime contra a humanidade ou genocídio.
Remeter qualquer autoridade ao Tribunal de Haia equivale a colocá-la no mesmo patamar de nazistas e de ditadores violentos. Lembra muitas mortes e desumanidades.
O presidente Jair Bolsonaro sempre tem sacado de seu imenso arsenal de comunicação uma saída para enfrentar e, muitas vezes, inverter situações adversas. Goza de respeitável popularidade e dispõe de um gigantesco exército de defesa e de ataque nas redes sociais. Todavia, agora, neste momento, a situação se apresenta bem mais complicada.
Pode ser que o presidente Bolsonaro ainda tenha forças para sustentar a onda. Se conseguir, sairá fortíssimo. Mas essas 500 mil mortes por covid-19 têm tudo para representar o marco de uma derrocada política.

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