terça-feira, 22 de junho de 2021

Há um ano, Wizard disse que recebeu 'missão' de Pazuello e que Brasil seria 'forrado' de cloroquina

 22.06.2021


O empresário Carlos Wizard afirmou em um vídeo de maio de 2020, publicado nesta segunda-feira (21) pela revista "Isto É" em uma rede social, que recebeu a "missão" do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello de acompanhar contratos e de deixar o Brasil "forrado" de medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina, cientificamente comprovados como ineficazes contra a Covid.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMSanunciou a ineficácia do medicamento para tratamento da Covid em outubro de 2020, embora desde maio daquele ano estudos científicos já apontassem o uso da cloroquina como ineficaz contra a Covid. A distribuição do medicamento pelo ministério como forma de tratar a Covid é um dos principais pontos de investigação da CPI da Covid.

 

Integrantes da CPI suspeitam que Wizard integre o chamado "gabinete paralelo", que teria assessorado o presidente Jair Bolsonaro em assuntos relacionados à pandemia. A convocação de Wizard para depor à CPI foi aprovada em maio. O depoimento estava marcado para o último dia 17. O empresário, no entanto, não compareceu. Segundo a defesa, ele está nos Estados Unidos. O depoimento foi remarcado para o próximo dia 30 (vídeo abaixo)

 

No vídeo publicado pela revista "Isto É", Wizard conversa com um jornalista em uma "live" da qual o próprio Pazuello participou. O empresário disse que o então ministro — à época ainda como interino; ele foi efetivado em setembro — confiou na "habilidade negocial" dele ao pedir que fizesse o acompanhamento dos grandes contratos do ministério.

 

"A missão que o general me passou foi de acompanhar os grandes fornecedores, os grandes contratos. Você sabe que o orçamento do Ministério da Saúde é um dos maiores que nós temos na nação, o maior da União, cerca de R$ 150 bilhões", declarou Wizard, que atuava como um colaborador informal, sem cargo oficial no ministério.

 

Na sequência, o empresário complementa:

"Logo, logo, você vai ver aí que o Brasil vai ser forrado de medicamentos na fase ainda inicial do tratamento, cloroquina, a hidroxicloroquina. Ou seja, então, alguns fornecedores são nacionais, mas tem muita coisa que não é fabricada no Brasil e que nós dependemos de fornecedores estrangeiros."

 

 


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