sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Atentados terroristas e minuta golpista devem 'turbinar' ações contra Bolsonaro no TSE

 13.01.2023


A revelação de uma minuta de decreto para mudar o resultado das eleições de 2022, os atentados terroristas que abalaram Brasília e a postagem golpista de Jair Bolsonaro contra a derrota nas urnas devem “turbinar” no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as ações que investigam a fracassada campanha à reeleição do ex-presidente da República.

Das 15 ações de investigação judicial eleitoral (conhecidas como “aijes”) que miram Bolsonaro, há pelo menos três que dialogam, em maior ou menor grau, com os fatos políticos desta semana.

São elas: a ação sobre a infame reunião com embaixadores, repleta de ataques infundados ao sistema eletrônico de votação; outra que trata do funcionamento de um ecossistema bolsonarista de desinformação; e uma terceira ação que apura o sequestro político da parada militar de 7 de Setembro, que se tornou comício eleitoreiro, ao invés de comemoração do Bicentenário da Independência.

Conforme revelou a coluna, uma das lideranças de protestos golpistas contra o resultado das eleições acionou o Ministério da Defesa para colocar tratores em plena parada militar em Brasília – e conseguiu.

Há também o inquérito administrativo instaurado para investigar os sucessivos ataques do ex-ocupante do Palácio do Planalto à Justiça Eleitoral. Nesse inquérito, o então ministro da Justiça, Anderson Torres, já prestou depoimento ao TSE em agosto de 2021, quando admitiu não ter prova de fraude nas eleições.

Conforme informou a colunista Bela Megale, o PL avalia que a minuta golpista encontrada na casa de Torres será usada para tornar Bolsonaro inelegível. Dentro do TSE, a avaliação é semelhante, já que os novos fatos poderiam servir para confirmar as acusações de abuso de poder político, econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

"A coisa ficou péssima. Vai ser um inferno", resume um aliado de Bolsonaro. Um ministro do TSE concorda que a situação ficou "complicadíssima".

Tanto o inquérito administrativo quanto as 15 ações que pedem a declaração de inelegibilidade de Bolsonaro podem afastá-lo de disputar qualquer eleição pelos próximos oito anos. Esses processos estão nas mãos do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Benedito Gonçalves, que se tornou peça-chave do tabuleiro político nacional.


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