terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Corrida de Jegues projeta-se como patrimônio simbólico e vetor de desenvolvimento cultural em Bom Jesus

 24.02.2026


A 61ª edição da tradicional Corrida de Jegues ratificou o município de Bom Jesus como referência na preservação e valorização da cultura popular nordestina. Realizado anualmente no domingo de Carnaval, o evento transcende o caráter festivo e configura-se como manifestação sociocultural de profunda densidade histórica, articulando memória coletiva, identidade regional e dinamização econômica.

Sob a coordenação da administração municipal, a corrida vem sendo estruturada dentro de parâmetros organizacionais que contemplam planejamento logístico, segurança dos participantes e cuidados com o bem-estar animal. Essa abordagem demonstra amadurecimento institucional na condução de tradições populares, conciliando patrimônio imaterial e responsabilidade administrativa.

Do ponto de vista histórico, o jumento ocupa posição central na formação socioeconômica do semiárido nordestino. Durante décadas, foi instrumento essencial na mobilidade rural, no transporte de insumos e no abastecimento hídrico, constituindo-se elemento estruturante da sobrevivência sertaneja.

A corrida, nesse contexto, não se limita à competição esportiva simbólica; ela materializa um processo de ressignificação cultural, preservando práticas tradicionais e robustecendo o vínculo identitário entre comunidade e território. Trata-se de um fenômeno cultural que integra memória, pertencimento e continuidade intergeracional.

A edição de 2026 contou com múltiplas categorias, ampliando a participação comunitária e estimulando a criatividade popular. A premiação total estruturou-se da seguinte forma:

Categoria Principal

1º lugar – R$ 3.000,00
Jegue: Poeira | Jóquei: Emerson de Souza Silva – Santa Filomena (PE)

2º lugar – R$ 1.500,00
Jegue: Negão | Jóquei: Ewerton Davi Pereira da Silva – Jataúba (PE)

3º lugar – R$ 1.000,00
Jegue: Balinha | Jóquei: Ewerton Davi Pereira da Silva – Jataúba (PE)

Categoria Local

1º lugar – R$ 2.000,00
Jegue: Major | Jóquei: Flaviano Soares

2º lugar – R$ 1.000,00
Jegue: Capuchim | Jóquei: Fabinho

3º lugar – R$ 500,00
Jegue: Pimentinha | Jóquei: Mateus Gonçalves

Categoria Jegue Mais Enfeitado

1º lugar – R$ 500,00
2º lugar – R$ 300,00
3º lugar – R$ 200,00

A distribuição das premiações evidencia a preocupação da gestão municipal em valorizar tanto competidores regionais quanto representantes locais, promovendo integração intermunicipal e estímulo à participação comunitária.

Além do aspecto cultural, o evento gerou repercussões econômicas positivas, com incremento no comércio informal, na prestação de serviços e na circulação de renda no município. Sob a perspectiva do desenvolvimento territorial, iniciativas dessa natureza funcionam como mecanismos de ativação econômica de base local.

A atuação administrativa evidenciou compromisso com a organização responsável do evento, adotando medidas preventivas quanto à segurança dos jóqueis e ao acompanhamento das condições dos animais, em consonância com parâmetros contemporâneos de gestão pública.

Tramita na Assembleia Legislativa da Paraíba iniciativa voltada ao reconhecimento da Corrida de Jegues como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. Caso formalizado, o reconhecimento sedimentará juridicamente aquilo que já é legitimado socialmente: a corrida como expressão viva da cultura sertaneja.

A gestão de Bom Jesus, ao investir na manutenção e qualificação do evento, demonstra compreensão estratégica da cultura como política pública estruturante. Ao articular tradição, organização e valorização identitária, o município credencia-se como protagonista regional na promoção de políticas culturais sustentáveis.

Ao completar 61 anos, a Corrida de Jegues evidencia que tradição e modernização administrativa podem coexistir de forma harmônica, transformando patrimônio cultural em instrumento de desenvolvimento, coesão social e projeção positiva do Sertão paraibano. 

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