terça-feira, 23 de abril de 2013

Raoni deixa PDT e deve ingressar no MD

23/04/2013


Por Nonato Guedes

Enquanto lideranças do PPS reuniam-se em João Pessoa para discutir o comando da Mobilização Democrática (MD) no Estado, o vereador Raoni Mendes confirmou seu desligamento dos quadros do PDT e o desejo de ingressar no MD, resultante da fusão nacional do PPS com o PMN. Mendes justificou que o PDT busca apenas o projeto de reeleição ou acomodação do “clã” familiar do deputado federal Damião Feliciano, sem reconhecer o valor de outras lideranças. “Lamentavelmente o PDT na Paraíba sempre foi dominado por grupos familiares”, salientou, exemplificando que o grupo Franca, liderado pelo ex-prefeito da capital, Chico Franca, tomou as rédeas durante algum tempo e impediu a ascensão de novos quadros importantes.

Vereador que obteve consagradora votação no último pleito na capital, Raoni evocou fases marcantes experimentadas pelo PDT a nível nacional, como Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e Cristovam Buarque, todos focados em priorizar a educação. “Saio com tristeza da agremiação”, acrescentou, criticando a hegemonia de uma comissão provisória no diretório municipal de João Pessoa, que já se estende pela sexta vez. A direção, conforme o seu desabafo, não tem interesse em promover debates ou eleição, eximindo-se do investimento na formação política, que ele considera imprescindível para o fortalecimento de legendas. Raoni observou que deixa a legenda munido de garantias jurídicas para não perder seu mandato na Câmara Municipal de João Pessoa. Mas, na hipótese de não se concretizar a fusão PPS-PMN, ele admite que terá que permanecer onde está.

- Não se pode ignorar que há uma insatisfação muito grande de nossa parte. Nosso grupo político decidirá o rumo assim que a formação do MD estiver concluída, mas há uma grande tendência e um estímulo muito forte para a migração – pontuou Mendes. Já o vereador Bruno Farias, que era vice-presidente do PPS no Estado, informou que a nova legenda vai lutar para que um filiado do PPS presida a nova sigla, que teoricamente poderia vir a ser ocupada por Lídia Moura, do PMN. As declarações formuladas por Lídia de que seria contemplada com o cargo máximo desencadearam reações entre os integrantes do PPS. O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, deixou claro no congresso da fusão que cada Estado resolveria livremente suas peculiaridades de acomodação.

Bruno Farias assinala que não houve discussão entre os integrantes do PPS sobre o posicionamento da nova legenda na conjuntura local, tendo em vista que os debates concentraram-se no princípio da unidade e na defesa do MD. “O nosso propósito é o de aprofundar o diálogo com remanescentes do PMN para a busca de um consenso, conforme orientação extraída do congresso que resultou na fusão”, explicou. Além de Bruno Farias e Marco Antônio, participaram da reunião o vice-prefeito de João Pessoa, Nonato Bandeira, o ex-presidente e a ex-vice-presidente do PPS, Fábio Carneiro e Vau Rodrigues, Eduardo Carneiro e Ronald Lins. Lídia Moura expressou a intenção de trabalhar pelo consenso. “Respeito os integrantes do PPS, e posso assegurar que não há guerra entre as duas legendas. Particularmente, estou satisfeita com a fusão, porque gerou um partido mais forte. E quem fizer parte da direção estadual fará apenas um trabalho de coordenação de um poder que passa a ser compartilhado”.

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