Por Nonato Guedes
As informações veiculadas na imprensa do sul do país dão conta de que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), está tentando uma saída honrosa para sair do páreo como suposto candidato a presidente da República em 2014. Questionado dentro do próprio partido como os irmãos Ferreira Gomes (Cid e Ciro), do Ceará, alinhados com a presidente Dilma, Campos também não tem o apoio do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, indicado por ele ao Planalto. Por outro lado, a revista “Veja”, em sua última edição, revela que governadores socialistas, como o paraibano Ricardo Coutinho, estariam reticentes quanto ao apoio a Eduardo diante de promessas da presidente Dilma de atendimento de demandas dos seus Estados. Coutinho é candidato à reeleição no próximo ano e foi tratado por Dilma, na recente visita que ela empreendeu à Paraíba, como “parceiro” da administração federal.
A revista “IstoÉ” insinua que Campos estaria barganhando para o afastamento do páreo: renunciaria à postulação se o candidato do PT fosse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não a presidente Dilma Rousseff, que tem direito à reeleição e conta com o apoio declarado de Lula. Diante da impossibilidade de substituição de Dilma na disputa pelo PT, Campos poderá apostar na alternativa Aécio Neves, pré-candidato pelo PSDB, mas não encontra apoio dentro do núcleo socialista, onde há vozes influentes favoráveis à manutenção da aliança com o PT. Esses setores trabalham com a perspectiva de que Eduardo poderia ser candidato ao Planalto em 2018, unificando todo o partido e depois de ter adquirido visibilidade em outras regiões influentes do país, o que não aconteceria na atual conjuntura.
Fontes paraibanas ligadas ao governador de Pernambuco já admitem “em off” que Campos cometeu uma precipitação ao se lançar pré-candidato a presidente da República sem avaliar concretamente a conjuntura no âmbito do próprio agrupamento que dirige. Atribuem o gesto à “impulsividade” característica do governador de Pernambuco, mas reconhecem que a decisão foi tomada sem uma análise mais profunda da radiografia sobre o cenário que se projeta para a eleição presidencial do próximo ano. As mesmas fontes concordam que Lula dificilmente torpedeará a candidatura de Dilma à reeleição, por mais que deixe trair uma sensação de saudosismo em relação ao Palácio do Planalto, que ocupou por dois mandatos. A tese é a de que Dilma conseguiu se impor naturalmente dentro do Partido dos Trabalhadores e ganhou a adesão de Lula para o projeto de reeleição. O ex-presidente tem sinalizado, inclusive, com a hipótese de atuar como cabo eleitoral da presidente na disputa, dentro da estratégia de evitar que o PSDB volte a empalmar o poder federal.
Uma dificuldade adicional para Eduardo Campos está na inviabilidade de alianças com que ele sonhava. O governador de Pernambuco apostou fichas na atração da MD – Mobilização Democrática, fundada através da junção do PPS ao PMN. Algumas lideranças remanescentes dos antigos partidos poderão formar com ele, a exemplo do deputado federal Roberto Freire, mas não há tropismo galopante na direção da suposta candidatura de Campos. Uma outra aposta que se revelou equivocada foi no alinhamento de José Serra com sua candidatura. O ex-ministro tucano deixaria os quadros do PSDB e sairia candidato ao governo de São Paulo por outra legenda. Serra preferiu permanecer no ninho tucano, apoiando a candidatura de Aécio Neves mesmo sem garantia de que terá legenda para concorrer ao governo paulista. Seguramente, porém, está distante de fechar com uma candidatura como a de Eduardo Campos.
Minado em diferentes flancos, o governador de Pernambuco acabou desacelerando o roteiro de palestras em outros Estados dentro da estratégia de adquirir notoriedade e ganhar adeptos. Está recolhido ao seu Estado, fazendo consultas informais por telefone e vasculhando com lupa pesquisas de opinião pública sobre sua pontuação para o páreo do próximo ano. As primeiras pesquisas realizadas detectam o raquitismo das suas chances eleitorais. Ele fica muito abaixo de Dilma e de Aécio Neves. Esse fator teria contribuído para que ele repense o projeto de largar como candidato já no próximo ano, expondo-se ao perigo de um fiasco acachapante.

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