O arranca-rabo entre PMDB e PT da Paraíba sobre a aliança no plano local pode acabar produzindo efeitos colaterais negativos para a campanha da presidente Dilma Rousseff, mais precisamente para o palanque da candidata petista à reeleição. Os dois partidos reclamam o monopólio do apoio à candidata, mas possuem diferenças cruciais para se entenderem na disputa estadual. O PT convive com duas moções – uma sinalizando aliança com o governador Ricardo Coutinho (PSB), outra indicando coligação com o PMDB.
Dá-se que o teor da aliança com o PMDB não é apetitoso para os petistas, uma vez que a chapa majoritária (de governador a senador) é quimicamente peemedebista, ocupada por Vital do Rêgo, Roberto Paulino e José Maranhão. Na composição acertada com os socialistas, a vaga ao Senado foi reservada para Lucélio Cartaxo, irmão gêmeo do prefeito da capital, Luciano, e uma das estrelas ascendentes na constelação petista no Estado. Como contornar a ocupação de espaços? Esta é a polêmica maior que está em pauta e que, naturalmente, não tem consenso.
A direção nacional, pilotada por Rui Falcão, tem procurado mediar o impasse, de forma a encontrar uma saída satisfatória para os interesses recíprocos. Essa fórmula mágica, entretanto, até o momento não deu o ar da graça. A consequência inevitável, como admitiam cabeças coroadas do PT paraibano hoje, será um distanciamento da presidente Dilma da campanha em solo tabajara. A Paraíba não é um colégio eleitoral grande, decisivo, na batalha sucessória presidencial. Mas tem sua importância no contexto. É isto que deve ser levado em conta nas articulações que não prosperaram até agora para fazerem PT e PMDB falarem a mesma linguagem.
Senas políticas acumuladas
Por trás do imbróglio opondo PT e PMDB na Paraíba, há Senas políticas acumuladas no histórico do relacionamento entre as duas agremiações.
Por trás do imbróglio opondo PT e PMDB na Paraíba, há Senas políticas acumuladas no histórico do relacionamento entre as duas agremiações.
Petistas queixam-se que nunca foram reconhecidos à altura da sua importância no contexto local pelos peemedebistas. O deputado Anísio Maia, por exemplo, repetiu por várias vezes o argumento de que estava cansado do papel de coadjuvante que é atribuído á agremiação petista pelos peemedebistas paraibanos.
Referia-se ao fato de que nas chapas para o governo do Estado, em 2006 e 2010, quando PT e PMDB estiveram juntos, a cabeça sempre foi reservada para os peemedebistas, ficando o petismo com o prêmio de consolação – a vice-governança. Assim é que foram indicados Luciano Cartaxo e Rodrigo Soares para a vice de José Maranhão. O PMDB nunca considerou seriamente a hipótese de enquadrar o PT numa senatória.
Somente o PSB demonstrou sensibilidade, na composição deste ano, para contemplar os petistas naquele posto, aceitando o nome de Lucélio Cartaxo. Enfim, não falta quem lembre que em 2012, na disputa pela prefeitura de João Pessoa, o grande cacique do PMDB, José Maranhão, declarou-se neutro quando Luciano Cartaxo foi escalado para enfrentar Cícero Lucena no segundo turno. Cartaxo acabou sendo vitorioso.
Votos no Congresso Nacional
Os peemedebistas, na verdade – não apenas os da Paraíba, mas de outros Estados – procuram demonstrar que são extremamente úteis ao governo da presidente Dilma Rousseff na hora de votações cruciais de matérias polêmicas no Congresso Nacional, quer seja no Senado, quer seja na Câmara dos Deputados. O próprio senador Vital do Rêgo, que postula o governo este ano pelo PMDB, tem sido leal ao Planalto em matérias decisivas no Parlamento. E nem por isto se julga recompensado à altura.
Os peemedebistas, na verdade – não apenas os da Paraíba, mas de outros Estados – procuram demonstrar que são extremamente úteis ao governo da presidente Dilma Rousseff na hora de votações cruciais de matérias polêmicas no Congresso Nacional, quer seja no Senado, quer seja na Câmara dos Deputados. O próprio senador Vital do Rêgo, que postula o governo este ano pelo PMDB, tem sido leal ao Planalto em matérias decisivas no Parlamento. E nem por isto se julga recompensado à altura.
Ainda há um sentimento de reclamação pelo fato de que o Ministério da Integração Nacional não foi entregue a ele (Vital), quando escapou das mãos do PSB, depois que este partido decidiu oficializar o lançamento de Eduardo Campos a presidente da República. Vital frequentou por algum tempo o noticiário da imprensa estadual e da imprensa nacional como o mais forte postulante para o ministério da Integração. Chegou a contar com o endosso de lideranças expressivas do PMDB nacional para chegar lá, a exemplo do vice-presidente da República, Michel Temer, e do presidente nacional do partido, Valdir Raupp. A vaga, entretanto, não caiu no seu colo. A intenção da presidente Dilma era a de contemplar aliados do grupo dos Gomes, no Ceará. Como a equação ficou complicada, Dilma pôs um técnico na pasta. Vital ficou a ver navios.
Maranhão: também rifado
O PMDB paraibano, aliás, não tem sorte com indicação de nomes para ocupar funções estratégicas no governo federal. Um dos exemplos bastante mencionado é o do ex-governador José Maranhão, que passou um tempo cogitado para diferentes ministérios no próprio governo de Dilma Rousseff e teve que se expor ao desgaste de não ser convidado oficialmente para nada, além de ser descartado de qualquer compensação da esfera federal na própria Paraíba.
O PMDB paraibano, aliás, não tem sorte com indicação de nomes para ocupar funções estratégicas no governo federal. Um dos exemplos bastante mencionado é o do ex-governador José Maranhão, que passou um tempo cogitado para diferentes ministérios no próprio governo de Dilma Rousseff e teve que se expor ao desgaste de não ser convidado oficialmente para nada, além de ser descartado de qualquer compensação da esfera federal na própria Paraíba.
Maranhão, em meio ao profundo desgaste que vivenciou, sentiu-se na contingência de vir a público para afirmar, com todas as letras, que não estava precisando de emprego e que, portanto, não iria mendigar cargo junto ao governo federal. Se depois do desabafo houve mediação nos bastidores para contemplá-lo, não se sabe, não se tem conhecimento. De concreto, Maranhão e Vital protagonizaram papéis que não gostariam de ter representado, quais sejam os de possíveis ministros de pastas que nunca ocuparam. Equivale dizer, “estiveram” ministros. Nunca foram ministros de verdade.
Wilson e o “canto do cisne”
A disputa eleitoral de 2014 marca o “canto do cisne” definitivo de algumas lideranças políticas na Paraíba. Uma delas é, seguramente, o ex-governador Wilson Leite Braga. Atualmente exercendo um mandato de deputado estadual, ele resolveu pendurar as chuteiras e não concorrer mais a nada. Sua mulher, Lúcia Braga, que foi deputada federal e constituinte, irá substituí-lo na corrida pela Assembleia Legislativa. Mais por “honra da firma” do que por ambição política propriamente dita. Tanto Wilson quanto Lúcia não escondem um certo fastígio em relação à atividade na qual têm militado por tanto tempo.
A disputa eleitoral de 2014 marca o “canto do cisne” definitivo de algumas lideranças políticas na Paraíba. Uma delas é, seguramente, o ex-governador Wilson Leite Braga. Atualmente exercendo um mandato de deputado estadual, ele resolveu pendurar as chuteiras e não concorrer mais a nada. Sua mulher, Lúcia Braga, que foi deputada federal e constituinte, irá substituí-lo na corrida pela Assembleia Legislativa. Mais por “honra da firma” do que por ambição política propriamente dita. Tanto Wilson quanto Lúcia não escondem um certo fastígio em relação à atividade na qual têm militado por tanto tempo.
Em relação a Wilson, é certo que problemas de saúde têm contribuído para que ele não se aventure mais a uma campanha eleitoral, que exige muitos compromissos e deslocamentos por todo o Estado. Para além disso, ele está convencido de que já ofereceu a sua contribuição valiosa e que o ostracismo deveria se dar em torno do primeiro mandato que exerceu. Em 1954, Wilson se elegeu deputado estadual, perseguindo, depois, mandato de deputado federal, reeleito em sucessivas oportunidades e consagrando-se como governador, eleito em 1982, quando derrotou Antônio Mariz. Em 90, porém, ao tentar voltar ao governo, Wilson perdeu para Ronaldo Cunha Lima. Um cargo que não consta do seu currículo político de mais de meio século: o de senador. Foi derrotado quando postulava a vaga em 1986.
Bancada petista em declínio
Em nota na revista “CartaCapital”, Maurício Dias observa que nas últimas três eleições diminuiu a velocidade de crescimento do número de cadeiras de deputados do PT na Câmara dos Deputados. Uma tabela em anexo mostra que em 1982 o percentual foi de 1,7, em 86 de 3,3, em 90 de 7,0, em 94 de 9,6, em 98 de 11,5, em 2002 de 18,0, em 2006 de 16,0 e em 2010 de 17,0. Uma trajetória oscilante, fora de qualquer dúvida. Foram disputadas oito eleições parlamentares. Em 28 anos, o partido iniciou a competição em 82 e atingiu bons picos como em 2002, mas já entre 2006 e 2010 experimentou decréscimo.
Em nota na revista “CartaCapital”, Maurício Dias observa que nas últimas três eleições diminuiu a velocidade de crescimento do número de cadeiras de deputados do PT na Câmara dos Deputados. Uma tabela em anexo mostra que em 1982 o percentual foi de 1,7, em 86 de 3,3, em 90 de 7,0, em 94 de 9,6, em 98 de 11,5, em 2002 de 18,0, em 2006 de 16,0 e em 2010 de 17,0. Uma trajetória oscilante, fora de qualquer dúvida. Foram disputadas oito eleições parlamentares. Em 28 anos, o partido iniciou a competição em 82 e atingiu bons picos como em 2002, mas já entre 2006 e 2010 experimentou decréscimo.
O PT tornou-se o maior partido na Câmara porque aumentou a dispersão entre as demais legendas, conforme constata o levantamento feito e publicado por Maurício Dias. Em 2006, na reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entretanto, o partido perdeu 2% dos representantes. Recuperou 1% na eleição de Dilma Rousseff. A análise é de que, se for mantido o fraco desempenho de Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo, é possível que haja uma nova queda na composição da bancada na Câmara Federal como reflexo das eleições de 2014.
Governo ainda conta seus votos
O deputado Hervázio Bezerra, líder da bancada governista na Assembleia Legislativa da Paraíba, ainda está debruçado na contagem dos votos considerados fiéis à administração de Ricardo Coutinho por ocasião de votação de matérias no plenário daquela Casa. A demora em dimensionar o tamanho da bancada governista decorre, justamente, do realinhamento de forças políticas na Paraíba, com a convivência que passou a existir entre petistas e socialistas, na esteira da formação da chapa majoritária para as eleições, que ainda está sendo contestada judicialmente.
O deputado Hervázio Bezerra, líder da bancada governista na Assembleia Legislativa da Paraíba, ainda está debruçado na contagem dos votos considerados fiéis à administração de Ricardo Coutinho por ocasião de votação de matérias no plenário daquela Casa. A demora em dimensionar o tamanho da bancada governista decorre, justamente, do realinhamento de forças políticas na Paraíba, com a convivência que passou a existir entre petistas e socialistas, na esteira da formação da chapa majoritária para as eleições, que ainda está sendo contestada judicialmente.
Há petistas que garantem que vão continuar adotando posição independente ou até mesmo de oposição na Casa de Epitácio Pessoa. Este é o caso, por exemplo, do deputado Frei Anastácio Ribeiro. Seu argumento é o de que deseja ficar liberado para votar de acordo com a sua consciência, uma vez feita a apreciação profunda do teor das matérias que forem encaminhadas ao Legislativo pelo governo do Estado. Hervázio Bezerra sonha, porém, com a possibilidade de uma unificação de socialistas e petistas em nome da aliança estratégica para 2014 no campo eleitoral.
Na dúvida, o líder do governo não arrisca prognósticos. Ele sabe que há insatisfações dentro do próprio bloco governista e que há votos dispersos, na mesma seara, que tendem a migrar para o candidato Cássio Cunha Lima, do PSDB. O Palácio da Redenção, em todo caso, examina estratégias para envio de matérias, agora que a Assembleia retomou as atividades. Quer se cercar, primeiro, de garantias de que não sofrerá revezes acachapantes no plenário em pleno ano eleitoral.
O espólio de Ruy Carneiro
Há uma expectativa muito grande sobre a verdadeira dimensão do espólio político que o deputado federal Ruy Carneiro poderia legar a postulantes a uma vaga na Câmara Federal este ano. A expectativa decorre do fato de que Ruy, ao se anunciar candidato a vice-governador na chapa de Cássio Cunha Lima (PSDB), prontificou-se a dividir áreas de atuação política com pretendentes à Câmara de diferentes partidos, desde que se comprometam a apoiar a chapa majoritária tucana, que conta, ainda, com Wilson Santiago na corrida para o Senado.
Há uma expectativa muito grande sobre a verdadeira dimensão do espólio político que o deputado federal Ruy Carneiro poderia legar a postulantes a uma vaga na Câmara Federal este ano. A expectativa decorre do fato de que Ruy, ao se anunciar candidato a vice-governador na chapa de Cássio Cunha Lima (PSDB), prontificou-se a dividir áreas de atuação política com pretendentes à Câmara de diferentes partidos, desde que se comprometam a apoiar a chapa majoritária tucana, que conta, ainda, com Wilson Santiago na corrida para o Senado.
Quantos votos, afinal, Ruy Carneiro detém na atual conjuntura? E qual será o potencial de transferência que ele pode realizar, na prática, para os demais postulantes? Esta é a indagação que se faz nos meios políticos. Às vezes, políticos são chamados para cargos majoritários porque estavam correndo risco no páreo proporcional. Assim teria acontecido, segundo versões, com José Maranhão, que em 94 estava tendo dificuldades para se reeleger à Câmara e foi ‘puxado’ por Antônio Mariz para seu vice, tendo assumido a titularidade logo em um ano, devido à morte do político sousense. Em relação a Ruy, não há registro de que esteja a perigo numa provável candidatura à reeleição. Mas é certo que enfrentaria grandes dificuldades provenientes da concorrência acirrada e do surgimento de competidores bons de voto, a exemplo de Pedro Cunha Lima, filho do senador Cássio Cunha Lima.
Um dos parlamentares a quem Ruy deve tentar repassar votos é Benjamin Maranhão, ex-PMDB, atualmente filiado ao SDD, que luta pela reeleição como deputado federal e já declarou seu apoio á candidatura de Cássio Cunha Lima ao governo, sendo acompanhado, nessa posição, pela sua mãe, Wilma Maranhão, prefeita de Araruna. A situação de Benjamin estava complicada porque o seu tio, José Maranhão, largou disposto a sair candidato também à Câmara Federal. Mas JM já refez o plano de voo e inscreveu-se como candidato a senador pelo PMDB. Vai dar combate a Wilson Santiago (PTB), da chapa de Cássio, e a Lucélio Cartaxo (PT), que foi registrado na chapa de Ricardo Coutinho.
cancaonoticias com Nonato Guedes
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