Seis policiais militares foram condenados nesta quinta-feira (5) pela tortura seguida de morte do técnico em monitoramento Tiago Moreira Alves, em Campina Grande, ocorrida no ano de 2012. O juiz Vandemberg de Freitas condenou os envolvidos a nove anos e quatro meses de reclusão. Outros 12 policiais que foram denunciados pelo Ministério Público foram absolvidos.
Seis policiais tinham sido indiciados por tortura seguida de morte, após a investigação coordenada pela delegada Cassandra Duarte.
Apesar da condenação, os seis policiais poderão responder o processo em liberdade. A reportagem do G1 tentou falar com o comandante geral da Polícia Militar e com o comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar, para saber quais medidas seriam adotadas pela corporação, em relação aos servidores absolvidos, mas até o fechamento dessa matéria, as ligações não foram atendidas.
“O fato é que a vítima foi brutalmente espancada e torturada até a morte pelos acusados, integrantes da briosa Polícia Militar do Estado da Paraíba, braço forte da sociedade”, destacou na condenação o magistrado Vandemberg de Freitas, da 4ª Vara Criminal de Campina Grande.
O laudo do Instituto de Polícia Científica (IPC) apontou asfixia por sufocação indireta como causa da morte do técnico em monitoramento. “Houve uma compressão torácica provocada por uma ação contundente que provocou a asfixia”, detalhou o gerente operacional Flábio Fabres. De acordo com ele, o laudo não precisou qual o instrumento usado para que se fizesse a asfixia. “Contudo, o laudo toxicológico comprovou a presença de cocaína no corpo da vítima, o que contribuiu para a asfixia”, complementou Fabres. Além da morte por asfixia, o laudo do IPC apontou lesões corporais superficiais que poderiam ser causadas por tortura.
De acordo com o promotor Sócrates da Costa Agra, testemunhas do caso foram ameaçadas e os 18 acusados ficaram detidos na sede do 2º BPM, após pedido do Ministério Público.
“Os autos registram um policiamento voltado para o crime e não para proteger a vida do cidadão, em uma conduta totalmente desnecessária e que poderia ter sido evitada”, alegou Sócrates Agra.
O então comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Souza Neto, alegou à época que o policial e a esposa dele tinham sido agredidos por Tiago e chamaram reforço policial para conter o rapaz.
G1 – PB
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