04.02.2026
O sistema internacional de direitos humanos atravessa o momento mais crítico desde o fim da Guerra Fria, alerta a Human Rights Watch (HRW) na 36ª edição de seu Relatório Mundial de Direitos Humanos, divulgado nesta quarta-feira. Segundo a organização, a reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos acelerou um processo já em curso de erosão da democracia e da ordem global regida por leis, em um cenário marcado pela convergência entre Washington, Pequim e Moscou no desprezo a normas internacionais e mecanismos de responsabilização. Como resposta, a ONG defende a criação urgente de uma nova aliança global de países comprometidos com os direitos fundamentais, citando o Brasil como um de seus participantes centrais.
"O sistema global de direitos humanos está em perigo", resumiu Philippe Bolopion, diretor-adjunto da HRW, em comunicado. "Sob pressão implacável do presidente Trump, e persistentemente minada pela China e pela Rússia, a ordem internacional baseada em regras está sendo destruída, ameaçando levar consigo a arquitetura na qual os defensores dos direitos humanos passaram a confiar para promover normas e proteger liberdades."
Embora a organização reconheça que o declínio democrático antecede o atual mandato de Trump, o relatório aponta 2025 como um “ponto de virada”. Segundo o documento, estudos indicam que a democracia global regrediu a patamares de 1985, com 72% da população mundial vivendo atualmente sob regimes autoritários. Rússia e China estão menos livres do que há 20 anos. E também os Estados Unidos, que, sob Trump, realizaram um ataque sistemático às bases da democracia americana — e da própria ordem mundial.
Ataques a pilares democráticos
Em pouco tempo, diz o relatório, o segundo mandato do republicano minou a confiança pública no processo eleitoral, reduziu a responsabilização do governo, destruiu programas de assistência alimentar e os subsídios à saúde, atacou a independência judicial, retrocedeu nos direitos das mulheres, obstruiu o acesso ao aborto, minou as reparações por danos raciais, encerrou programas que determinavam a obrigatoriedade de acessibilidade para pessoas com deficiência, puniu a liberdade de expressão e usou o governo para intimidar opositores políticos, a mídia, escritórios de advocacia, universidades, a sociedade civil e até mesmo comediantes.
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