terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Lula embarca hoje rumo à Ásia para ampliar comércio e reforçar alianças

 17.02.2026


Às vésperas do início do período eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca nesta terça-feira (17) para uma viagem à Ásia que o governo trata como estratégica para reposicionar o Brasil no cenário internacional e ampliar frentes comerciais em um momento de instabilidade geopolítica, reorganização das cadeias produtivas globais e disputa por tecnologia e recursos naturais.

O roteiro começa pela Índia, a convite do primeiro-ministro Narendra Modi, e inclui reuniões bilaterais, participação na Cúpula de Inteligência Artificial e agendas com empresários, antes de seguir para a Coreia do Sul.

A avaliação do Itamaraty é que o contexto global atual elevou o peso político da relação entre Brasil e Índia, vista pelo governo como uma parceria-chave entre grandes economias emergentes e um canal para reforçar a defesa do multilateralismo, da reforma do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e de posições comuns sobre soberania, democracia e conflitos internacionais, incluindo a situação em Gaza.

Mas, além da agenda diplomática, a viagem tem forte componente econômico. O Planalto pretende usar o peso político da visita presidencial para impulsionar negociações comerciais e industriais, ampliar o acordo de preferências tarifárias entre Mercosul e Índia e reforçar a presença brasileira em cadeias globais de valor ligadas a minerais críticos, tecnologia e alimentos.

Nesse contexto, o agronegócio aparece como um dos eixos da aproximação bilateral. A equipe brasileira trabalha para avançar em negociações de acesso a mercado, incluindo a possibilidade de estruturar cotas para exportação de feijão guandu e iniciar conversas sobre as tarifas indianas que hoje chegam a cerca de 100% para cortes de frango, barreira que praticamente impede a entrada do produto brasileiro no país asiático.

Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Luis Rua, o governo busca construir mecanismos que tragam previsibilidade comercial com a Índia, um mercado visto internamente como prioritário pelo tamanho do consumo e pela volatilidade da produção agrícola local.


A viagem ocorre após um processo de aproximação intensificado nos últimos anos, que incluiu a visita de Modi ao Brasil em 2025 e uma missão multissetorial liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin a Nova Délhi, com representantes do governo e do setor privado. Internamente, integrantes do governo classificam a agenda asiática como a maior ofensiva comercial da gestão petista na região.

Na Índia, Lula participa da abertura da Cúpula de Inteligência Artificial nos dias 19 e 20, onde o Brasil deve copresidir, ao lado do Japão, um grupo de trabalho sobre IA segura e confiável.

A agenda prevê ainda a assinatura de cerca de oito atos bilaterais, incluindo uma declaração sobre parceria digital e um memorando de entendimento sobre minerais críticos e terras raras, considerado pelo governo um acordo-guarda-chuva para futuras cooperações industriais.

O presidente também encerra o Fórum Empresarial da Apex-Brasil no dia 21 e inaugura o escritório da agência em Nova Délhi.

O evento reúne empresários dos setores de agronegócio, alimentos, tecnologia, mineração, aeronáutica e indústria, e deve discutir temas como segurança alimentar, inovação agrícola, transição energética e cadeias produtivas estratégicas.

Após a etapa indiana, Lula segue para a Coreia do Sul, onde terá reuniões com o presidente Lee Jae-myung e participará do Fórum Empresarial Brasil-Coreia.

O governo brasileiro pretende aproveitar a visita para abrir novas frentes de cooperação, atrair investimentos e avançar na abertura de mercados agropecuários, especialmente para carnes bovina e suína, além de produtos de maior valor agregado.

A missão se encerra no dia 24, com retorno ao Brasil, e é vista no Planalto como parte de uma estratégia mais ampla de diversificação de parceiros comerciais, redução da dependência de destinos tradicionais e fortalecimento da presença brasileira em mercados de grande escala.

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