12.02.2026
Gestores municipais de várias cidades do Ceará e de outros estados do Nordeste estão discutindo medidas para estabelecer parâmetros ou “tabela” de valores para cachês de artistas em eventos públicos, em especial durante o Carnaval, diante do que classificam como alta excessiva nos valores de contratação e risco de comprometimento dos orçamentos municipais.
A princípio, a pauta ganhou força após prefeitos identificarem que os custos com atrações artísticas nas festas de momo deste ano ficaram muito acima do esperado, sem um referencial claro de preço.
Dessa forma, a mobilização foi debatida em encontros promovidos pela Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece) e deverá evoluir para uma proposta formal após o Carnaval, com a intenção de apresentar um manifesto conjunto com sugestões de encaminhamento para futuras contratações.
Prefeitos apontam que os cachês de artistas subiram de forma desproporcional, levando municípios, em alguns casos, a cancelar festas ou a repensar os investimentos públicos. O presidente da Aprece, Joacy Alves dos Santos Júnior, afirmou que gestores se articulam para buscar uma resposta coletiva a essa questão, especialmente para não comprometer áreas essenciais como saúde, educação e assistência social.
A proposta em discussão inclui a criação de um pacto regional entre prefeituras para definir faixas de preço ou limites para contratações artísticas com base no porte populacional dos municípios e no orçamento disponível. A ideia é oferecer critérios mais transparentes e previsíveis para a tomada de decisão e evitar que pressões de mercado elevem custos sem justificativa técnica.
Gastos que preocupam gestores
Dados recentes apontam que os municípios cearenses declararam apenas com atrações musicais dezenas de milhões de reais — em alguns casos, mais de R$ 1,5 milhão por atração. Esses valores foram declarados no portal Carnaval Transparente 2026, ferramenta do Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE) que acompanha os gastos públicos com as festividades.
| Município | Artista | Cachê declarado (2026) |
|---|---|---|
| Aracati | Léo Santana | R$ 1.500.000 |
| Paracuru | Wesley Safadão | R$ 1.300.000 |
| Paracuru | Luan Santana | R$ 1.300.000 |
| Aracati | Daniela Mercury | R$ 1.100.000 |
| Aquiraz | Zé Neto e Cristiano | R$ 954.000 |
| Paracuru | Dennis DJ | R$ 750.000 |
| Cascavel | Henry Freitas | R$ 700.000 |
| Aquiraz | Pedro Sampaio | R$ 750.000 |
| (Valores publicados por prefeituras em 2026 e divulgados em reportagens; os números podem ser atualizados conforme novos dados sejam declarados) |
Desafios e possíveis encaminhamentos
Os prefeitos destacam que o mercado artístico apresenta grande variação de valores, o que dificulta estabelecer critérios universais sem uma articulação ampla entre gestores. Entretanto, eles planejam intensificar o diálogo com associações municipalistas de outros estados nordestinos para construir uma posição unificada sobre o tema e, possivelmente, elaborar um instrumento jurídico ou acordo formal que permita limites mais claros para as contratações.
Embora essa discussão esteja em fase inicial e não haja previsão de ação legislativa imediata no Congresso Nacional, gestores defendem que uma tabela de referência para cachês pode trazer mais equilíbrio entre os investimentos públicos e as demandas culturais, preservando a realização de eventos populares sem pressionar excessivamente os orçamentos municipais.
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