quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Papangus do Carnaval: saiba tudo da tradição centenária do Nordeste

 12.02.2026


Coloridos, misteriosos e carregados de simbolismo cultural, os Papangus são uma das manifestações mais tradicionais do Carnaval nordestino. Presentes principalmente em cidades do interior de Pernambuco e da Paraíba, a figura do folião mascarado atravessa gerações e mantém viva uma das expressões mais autênticas da cultura popular brasileira.

O que são os Papangus?

Os Papangus são personagens carnavalescos caracterizados por máscaras artesanais, roupas largas e coloridas — muitas vezes feitas de retalhos — e uma postura irreverente e brincalhona.

O objetivo principal sempre foi o anonimato: ao esconder o rosto, o participante podia circular livremente pelas ruas, interagir com o público e fazer brincadeiras sem ser reconhecido.

Tradicionalmente, os mascarados carregam sacolas ou bastões e costumam abordar moradores e visitantes de forma lúdica, pedindo dinheiro, doces ou apenas arrancando risadas. Dessa maneira, presença dos Papangus transforma ruas e praças em verdadeiros palcos de teatro popular a céu aberto.


Onde a tradição é mais forte

Embora existam registros da prática em diversas cidades do Nordeste, o maior símbolo dos Papangus está em Bezerros, no Agreste de Pernambuco, conhecida nacionalmente como a “Terra dos Papangus”. O município realiza um dos carnavais de rua mais famosos do interior do estado, atraindo milhares de turistas todos os anos.

Na Paraíba, a tradição também é marcante em cidades do interior e em festas culturais que valorizam o folclore regional. Em alguns municípios, os Papangus aparecem não apenas no Carnaval, mas também em eventos culturais ao longo do ano, reforçando o caráter identitário da manifestação.

Origem histórica

A origem dos Papangus remonta ao período colonial e mistura influências europeias e africanas. Historiadores apontam que o costume de usar máscaras durante festas populares chegou ao Brasil com tradições portuguesas e espanholas, sendo posteriormente adaptado à realidade local.

No Nordeste, a prática ganhou contornos próprios. A máscara passou a representar liberdade social, já que permitia que pessoas de diferentes classes e origens participassem das festividades em igualdade, sem distinções. Ao longo do tempo, a brincadeira se consolidou como parte do calendário carnavalesco e se transformou em patrimônio cultural informal de diversas cidades.

Artesanato e identidade cultural

Um dos aspectos mais valorizados da tradição é o artesanato das máscaras. Em Bezerros, por exemplo, existem famílias inteiras dedicadas à produção artesanal das peças, utilizando papel machê, tecido, tinta e materiais recicláveis. Cada máscara é única, refletindo criatividade, humor e crítica social.


Esse processo artesanal gera renda, movimenta o turismo e preserva saberes passados de geração em geração. Oficinas culturais e exposições também ajudam a manter viva a tradição entre crianças e jovens. 

Mais que fantasia: símbolo de resistência cultural

Os Papangus representam mais do que uma fantasia carnavalesca. Eles simbolizam liberdade de expressão, anonimato festivo e resistência cultural. Portanto, em um cenário de grandes eventos e blocos comerciais, a presença dos mascarados reforça a importância das manifestações populares espontâneas, que surgem do povo e para o povo.

Hoje, além da festa, a figura do Papangu se tornou um ícone turístico e cultural do Nordeste, estampando souvenires, murais urbanos e campanhas institucionais. Afinal, mesmo com a modernização das festas, a tradição segue viva, lembrando que o Carnaval também é espaço de memória, arte e identidade regional.



































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