segunda-feira, 18 de maio de 2026

Conselho de Direitos Humanos analisa 643 mortes de presos sob custódia do Estado em Minas Gerais desde 2024

 18.05.2026


Levantamento obtido pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG) expôs um cenário alarmante no sistema prisional mineiro: 643 detentos morreram entre 2024 e 15 de março de 2026 enquanto estavam sob custódia do Estado, dentro ou fora das unidades prisionais.

 Os dados, produzidos pelo Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) e pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), ampliaram a pressão sobre o governo estadual e reacenderam denúncias de superlotação, sucateamento estrutural e violações de direitos humanos.

Segundo o relatório analisado pelo Conedh-MG, somente os casos classificados oficialmente como suicídio ultrapassam a marca de 100 mortes no período, sendo 94 delas registradas dentro de presídios. O conselho afirma que diversas informações repassadas pelo Estado são consideradas insuficientes, o que motivou pedidos de “apuração rigorosa” de cada ocorrência.

Os números mostram uma escalada preocupante. Em 2024, o sistema contabilizou entre 275 e 277 mortes de pessoas privadas de liberdade. Já em 2025, o total saltou para algo entre 310 e 312 óbitos. Apenas nos primeiros meses de 2026, até 15 de março, outras 56 mortes foram registradas.

O presidente do Conedh-MG, Robson Sávio Reis Souza, afirmou que o Estado pode ser responsabilizado quando falha na proteção da integridade física de presos sob sua tutela. O conselho também aponta que Minas Gerais ainda não possui um mecanismo estadual próprio de combate à tortura, apesar das recorrentes denúncias envolvendo maus-tratos dentro das unidades prisionais.

Relatórios do próprio conselho revelam que cerca de 83% das denúncias recebidas pelo órgão em 2025 estavam ligadas ao sistema prisional mineiro. Entre os principais relatos aparecem acusações de tortura, abuso de poder, atendimento médico precário, alimentação inadequada e condições degradantes de encarceramento.

Especialistas em segurança pública e representantes sindicais afirmam que os presídios de Minas Gerais operam próximos do colapso. O déficit de profissionais, a sobrecarga dos policiais penais e a superlotação das unidades são apontados como fatores centrais para o agravamento da crise humanitária.

Nenhum comentário:

Marcha dos prefeitos começa nesta segunda com mira em presidenciáveis

 18.05.2026 A  17ª Marcha dos prefeitos  acontece entre hoje e quinta-feira (21), em  Brasília.  A expectativa dos organizadores é reunir ma...