27.07.2026
Em uma passagem marcada por profunda emoção e reflexão no Sertão paraibano na última semana, a primeira-dama do Estado da Paraíba, Camila Mariz Ribeiro, concedeu uma entrevista exclusiva ao Blog do Levi e ao programa Cidade Notícia, da rádio Líder FM.
Durante a agenda na região, que incluiu uma palestra sobre o perdão em uma igreja evangélica na cidade de Sousa e uma visita carregada de simbolismo à residência onde sua mãe, Silvia Fernandes Mariz, foi assassinada pelo próprio marido em São João do Rio do Peixe, Camila abriu o coração sobre a tragédia familiar ocorrida em 1999, quando ela tinha apenas 10 anos de idade.
Assista ao vídeo:
Confira a entrevista completa ao final desta matéria!
Natural de Campina Grande, mas com fortes raízes familiares na região sertaneja, Camila Mariz relatou que por mais de duas décadas guardou a história no ambiente privado devido à dor, à vergonha e aos sentimentos de culpa que costumam cercar tragédias domésticas.
“Todas as pessoas da família sentem um pouco de culpa porque, afinal, a violência acontece dentro de casa”, desabafou.
A decisão de romper o silêncio ocorreu há cerca de quatro anos, ao engajar-se no projeto “Antes que Aconteça”, idealizado pela senadora Daniela Ribeiro (PSD). O projeto, que buscava dar um rosto humano e real às estatísticas de violência contra a mulher, tomou proporção ainda maior e virou programa oficial do Governo do Estado após seu esposo, Lucas Ribeiro (PP), assumir o cargo de governador da Paraíba.
“Minha história saiu dos dados, de ser mais uma mulher perdida para o feminicídio, para contar a história. Quem é que quer pegar o microfone e falar da pior desgraça que aconteceu na sua vida? Ninguém quer. Mas quando me propus a falar, foi porque entendi que aquilo não aconteceu só com a minha mãe; acontece todos os dias no Brasil com quase cinco mulheres por dia”, declarou a primeira-dama.
O reencontro em São João do Rio do Peixe e o poder restaurador do perdão
Na última sexta-feira (24), a primeira-dama retornou à antiga casa da família em São João do Rio do Peixe. Contudo, diferente das visitas do passado — quando voltava acompanhada dos tios apenas para acompanhar os desdobramentos processuais do julgamento —, o retorno recente teve como objetivo ressignificar as memórias e cultivar o amor semeado por seus avós.
“A gente fez questão de voltar para que tivéssemos uma última memória boa, e não uma última memória triste de um julgamento ou de um crime. Ninguém quer esse tipo de memória”.

Ao abordar o tema do perdão concedido ao próprio pai, Camila ressaltou que perdoar não significa apagar o fato, mas sim libertar o coração para seguir em frente em paz com Deus e com a sociedade.
“A condição do perdão restabelece a nossa conexão com Deus e com os outros. O perdão para mim é fundamental. Talvez, se eu não tivesse perdoado, nem tivesse como voltar aqui hoje”.
A luta jurídica antes da Lei Maria da Penha e as teses da defesa
A apuração do crime levado a julgamento ocorreu cerca de um ano e meio após o fato. Camila relembrou as imensas dificuldades de se buscar a condenação de um homem por homicídio praticado contra a esposa há 25 anos, em uma época na qual não existiam a Lei Maria da Penha nem a qualificadora do feminicídio.

Durante a entrevista, ela destacou o argumento utilizado pelos advogados de defesa do seu pai no tribunal do júri.
“Se é difícil hoje condenar um homem na Lei Maria da Penha, 27 anos atrás você imagine antes, sem Maria da Penha, sem feminicídio, onde se alegava legítima defesa da honra e insanidade mental — que foi o que os advogados do meu pai alegaram. Então, viemos para que ele tivesse a resposta jurídica cabível para o caso dele”.
A recusa pela vingança “na bala” e a confiança no devido processo legal
Outro ponto marcante abordado por Camila Mariz diz respeito à atitude madura e ordeira de seus familiares diante do crime brutal em uma região historicamente marcada por conflitos violentos.
“Se você tem mais de 30 ou 40 anos, vai se lembrar que antes as coisas eram resolvidas na bala. E meus tios disseram: ‘Não, a gente não vai resolver desse jeito’. Mesmo tendo todos os instrumentos e condições, disseram: ‘Acabou aqui. Quem vai dar a resposta é a justiça’. E a justiça foi feita para aquele caso dentro do que se tinha de possibilidade, no devido processo legal”.
Assista a entrevista completa:
BlogdoLevi
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