terça-feira, 3 de novembro de 2026

Após voto em Lula, indígenas enfrentam onda de massacre em MS; clima é tenso

 03.11.2026


A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) instauraram inquéritos criminais urgentes para apurar uma onda de ataques, intimidações e graves ameaças contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul, deflagrada imediatamente após a eleição de Lula. 

Organizações como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) denunciam que os episódios configuram ações coordenadas de retaliação política pelo posicionamento eleitoral dos povos tradicionais nas urnas.

Plano de envenenamento e áudios racistas
O caso mais alarmante envolveu o vazamento de áudios em aplicativos de mensagens que sugeriam o envenenamento de fontes de água utilizadas por comunidades locais. 

Em Tacuru, gravações atribuídas a servidores municipais defendiam a contaminação do abastecimento da Aldeia Sassoró, referindo-se aos indígenas que votaram em Lula de forma desumanizadora. Diante da gravidade dos fatos, um funcionário público foi preventivamente afastado pela prefeitura, e o MPF exigiu explicações imediatas da gestão local.

Ameaças semelhantes também miraram os povos Guarani e Kaiowá na aldeia Yvu Verá 2, no município de Dourados. O clima de pânico e o risco iminente à segurança fizeram com que o governo federal determinasse o envio imediato de equipes da Força Nacional para garantir a proteção física dos moradores.

Atropelamentos, incêndios e assassinatos sob investigação
A escalada de hostilidades contra os territórios e indivíduos indígenas após a confirmação do resultado eleitoral inclui crimes de extrema gravidade:
Atropelamento intencional: Em Coronel Sapucaia, um indígena morreu após ser deliberadamente atropelado em uma rodovia estadual.

Mortes violentas: Entidades indigenistas cobram a elucidação do assassinato de integrantes de uma mesma família na região de Naviraí, além de outros óbitos suspeitos registrados no mesmo período.

Ataques à cultura tradicional: Templos ancestrais e casas de reza foram alvos de incêndios criminosos, destruindo símbolos sagrados e evidenciando atos de intolerância religiosa.

Coação de eleitores: Lideranças relatam que caminhonetes circularam por acessos a escolas e aldeias na tentativa de intimidar os cidadãos e restringir o trânsito no dia do pleito.

Resposta e comitiva do governo federal
Em reação direta à crise humanitária e de segurança, o presidente Lula determinou o envio de uma comitiva interministerial ao estado para conter a escalada da violência rústica. Ministros e secretários nacionais dos Povos Indígenas, da Justiça e Segurança Pública, e dos Direitos Humanos e da Cidadania desembarcaram na região de Dourados para realizar diligências, ouvir os caciques e reforçar a presença do Estado na área de fronteira.

A Polícia Federal investiga se os ataques foram articulados por grupos econômicos locais ou milícias rurais organizadas. Paralelamente, os ministérios coordenam uma força-tarefa para catalogar denúncias de violência eleitoral e garantir que os direitos constitucionais dos povos originários e de outras minorias sejam plenamente assegurados.

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