terça-feira, 21 de maio de 2013

Ricardo quebra tabu e visita cidade no extremo-oeste

21/05/2013


Por Nonato Guedes

O governador Ricardo Coutinho quebrou um tabu ao se deslocar nos últimos dias de Cajazeiras para Bom Jesus, uma pequena cidade situada a 500 quilômetros de João Pessoa, no limite oeste com o Ceará e que há praticamente 47 anos não recebia a visita de um chefe do Executivo estadual, como enfatizou o prefeito Roberto Bayma, do PSDB. Ricardo entregou uma estação de tratamento de água para o município, dentro do projeto de interiorização de ações administrativas que está colocando em prática na Paraíba. Os habitantes da cidade ficaram extremamente sensibilizados com o gesto, conforme o governador ouviu de políticos da região que fazem parte da sua base de sustentação.

Na década de 80, Bom Jesus chegou a merecer destaque nas páginas do jornal “O Estado de São Paulo”, como uma cidade pobre e abandonada, que nem imposto podia cobrar. Em julho de 82, o município contava com 1.295 habitantes. Não possuía cadeia, posto de gasolina nem cinema. Dispunha, apenas, de aparelhos de televisão e de um sistema telefônico que atendia chamadas interurbanas mas vivia praticamente ocioso. O então prefeito José Gonçalves explicava a não cobrança de tributos alegando que a população não tinha dinheiro sequer para comer. De lá para cá, é evidente, alguns avanços foram sendo incorporados. Mas a cidade continua sendo penalizada em termos de recursos e de geração de trabalho. Bom Jesus era povoado de Cajazeiras foi elevada a cidade em novembro de 1964 por manobras de lideranças políticas da região, com o veto do então governador Pedro Gondim, que exigia sua transformação em distrito.

O seu primeiro prefeito foi o médico pediatra Júlio Bandeira de Mello, já falecido. Nascido na Bahia, ele tinha ramificações familiares na área centralizada por Cajazeiras, onde apresentou programas de comentários em emissoras de rádio, ao lado de um radialista famoso, Zeilto Trajano, que faleceu em João Pessoa. Júlio contava ter administrado a cidade por um ano e dois meses sem receber um centavo de fundos federais ou estaduais, situação que se modificou posteriormente. A agricultura, com ênfase na zona rural, sempre constituiu a base da atividade econômica local. Muitos políticos que concorreram a cargos majoritários desistiram de fazer comícios ali, alegando distância e compensação duvidosa, por causa da pequena quantidade de eleitores. Havia muita migração de eleitores para o Ceará, em face de uma circunstância geográfica: metade das casas ficava no território do vizinho Estado. A frente das casas, numa das artérias da cidade, era considerada território paraibano, enquanto os fundos eram catalogados como pertencentes ao Ceará. A antiga estatal de energia elétrica, Saelpa, estava instalada no trecho supostamente pertencente ao Ceará, mas recolhia taxas para a Paraíba. Em 1968, deu-se uma controvérsia: a população estimada era de 700 habitantes, mas no pleito votaram 1.105 eleitores. Oficialmente a Justiça Eleitoral sempre considerou que toda a população era domiciliada na Paraíba.

O governador Ricardo Coutinho, ao visitar Bom Jesus, cumpriu um compromisso que havia empenhado: o de retirar do isolamento pequenas cidades do Estado da Paraíba, daí a satisfação dos habitantes em recepcionar o chefe do Executivo, sendo contemplados, simultaneamente, com uma obra que era reivindicada há muito tempo para suprir carências locais. A administração socialista dispõe de um mapeamento das localidades que compõem a Paraíba, e o chefe do Executivo procura privilegiar os que são mais carentes de atenção básica por parte do poder público.

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