19.10.2026
A página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem contabilizado como alterações de locais de votação casos em que, na prática, os endereços das seções no segundo turno das eleições de 2026 são os mesmos do primeiro turno.
A
inconsistência faz com que o número de seções eleitorais efetivamente
modificadas para o segundo turno seja menor do que as 2.033 registradas na
página oficial do tribunal no início da tarde deste domingo (18). Na
sexta-feira (16), o TSE havia informado um número ainda maior, de 4,3 mil
seções eleitorais alteradas.
Os
Tribunais Regionais Eleitorais identificaram divergências nos dados e estão
divulgando em seus sites e redes sociais quais locais realmente foram
alterados.
No
município de Escada (PE), por exemplo, a página do TSE aponta a transferência
de seções eleitorais da Escola Municipal Barão de Suassuna para o Grupo
Municipal Barão de Suassuna. Segundo dados do Inep, existe apenas uma escola
com o nome Barão de Suassuna no local.
Embora
o TSE informe mudanças em 24 municípios pernambucanos, o TRE-PE disse que
apenas seis seções eleitorais terão mudança de endereço, nos municípios de
Floresta e Buíque.
Situação
semelhante ocorreu em Alagoas. No município de Delmiro Gouveia, o TSE aponta
mudança de local de votação da Escola Municipal José Correia dos Santos para o
Grupo Escolar José Correia dos Santos. Segundo o TRE-AL, nenhuma seção
eleitoral mudou de endereço entre os dois turnos no estado.
Procurada
pelo g1, a assessoria do TSE informou que vai apurar o que aconteceu e
afirmou que o sistema está sendo atualizado.
Por
volta das 19h deste domingo, a página do TSE registrava apenas 1.396 seções
modificadas. Às 20h, esse número já tinha caído para 99, mas algumas
inconsistências ainda permaneciam disponíveis na página oficial do tribunal.
A
orientação para o eleitor é que antes de sair para votar, consulte o local de
votação pelo aplicativo e-título ou pelo Autoatendimento Eleitoral.
Mudanças
são comuns, mas divergências causam ruído
Além
dos registros duplicados, o g1 apurou que locais de votação modificados
entre as eleições de 2024 e 2026 aparecem na página do TSE como se tivessem
sido alterados entre o primeiro e o segundo turno deste ano. Nesses casos, os
eleitores já votaram nos novos endereços no dia 4 de outubro e vão votar no
mesmo local dia 25 de novembro.
A
advogada eleitoralista e mestre em Direito Emma Roberta Bueno afirma que
mudanças nos locais de votação entre o primeiro e o segundo turno são comuns e
podem ocorrer por problemas de acessibilidade, falta de energia ou danos
causados por chuvas e ventos. O que chama a atenção, segundo ela, é a
inconsistência entre os números divulgados.
"É
importante que a gente diga de forma expressa, para não alimentar
desinformação, que o endereço informado no e-título está correto. Mas essa
confusão com os números gera ruído e desconfiança num momento em que a Justiça
Eleitoral deveria ser a fonte mais segura de informação", disse Bueno.
O
advogado Fernando Naisser considera essencial que o levantamento de seções
alteradas seja consolidado o mais rápido possível. "Não faz sentido que
isso siga acontecendo durante a semana, porque aí tornaria praticamente
impossível as pessoas serem informadas", afirmou.
TREs
fazem força-tarefa para informar mudanças
Diante
das inconsistências nos dados do TSE, os Tribunais Regionais Eleitorais estão
fazendo uma força-tarefa para esclarecer quais locais realmente sofreram
alterações, com publicações nos sites e nas redes sociais.
No
Paraná, enquanto a página do TSE apontava alterações em 61 locais de votação de
48 municípios, o levantamento do TRE-PR identificou mudanças em apenas oito
locais, em sete municípios.
Já
em São Paulo, a página oficial do TSE apontava alterações em oito municípios,
envolvendo 15 locais de votação. Mas o TRE-SP informou oficialmente mudanças
apenas na 256ª Zona Eleitoral, no Tucuruvi, na capital, e na 402ª Zona
Eleitoral, em Presidente Prudente.
No
Rio de Janeiro, a página do TSE indicava mudanças em dois locais de votação, um
na capital e outro em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O TRE-RJ, porém,
informou que apenas um local de votação foi efetivamente alterado, no bairro de
Brás de Pina, na Zona Norte da capital.
O
TSE disse que as alterações nos locais de votação não são decididas de forma
centralizada pelo órgão e que a responsabilidade cabe a cada zona eleitoral,
que conhece a realidade de seu município e avalia a infraestrutura disponível.
Especialistas
cobram informações claras aos eleitores
Para
a advogada Emma, a Justiça Eleitoral deveria adotar uma comunicação ativa com
os eleitores afetados, em vez de depender apenas de consultas individuais aos
sistemas.
"Os
avisos poderiam ser enviados pelo próprio aplicativo ou por mensagens aos
eleitores. Outra medida seria sinalizar, nos prédios utilizados no primeiro
turno, os novos endereços das seções transferidas", disse a advogada.
Segundo
Naisser, o principal desafio é garantir que as pessoas sejam informadas sobre
eventuais mudanças com tempo hábil. "O principal ponto aqui é que a
Justiça Eleitoral consiga informar em tempo as pessoas e não só presumir que as
pessoas vão entrar no e-Título e ver", afirmou.
G1

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